quinta-feira, 16 de julho de 2015

 
* Guyton e Hall * (RESUMO)
I – Fisiologia de Membranas
1 - Transporte de Íons e de Moléculas Através da Membrana Celular 2 - Potenciais de Membrana e Potenciais de Ação
I – Fisiologia Circulatória
1 - Pressão, Resistência e Fluxo 2 - Artérias, Veias e Capilares 3 - Troca de Líquidos nos Capilares 4 - Controle Local e Humoral do Fluxo Sanguíneo 5 - Controle Neurológico da Circulação 6 - Os Rins e a Regulação da Pressão Arterial 7 - Choque Circulatório e Débito Cardíaco 8 - Fluxo Sanguíneo Muscular e a Circulação Coronária 9 - Bulhas Cardíacas
I – Fisiologia Cardíaca
1 - O Coração e o Bombeamento Cardíaco 2 - Excitação Rítmica do Coração 3 - Eletrocardiograma e Anormalidades Cardíacas
IV – Fisiologia Respiratória
1 - Ventilação e Circulação Pulmonar 2 - Transporte de Gases Entre os Alvéolos e as Células 3 - Regulação da Respiração 4 - Fisiologia de Anormalidades Pulmonares Específicas
V – Fisiologia do Trato Gastrintestinal
1 - Movimentação do Alimento ao Longo do Trato, Controle Nervoso e Fluxo Sanguíneo 2 - Funções Secretoras do Trato Digestivo
VI – Os Rins e os Líquidos Corporais
1 - Líquidos Extracelular e Intracelular e Edema 2 - Formação da Urina pelos Rins 3 - Mecanismos de Controle para os Líquidos Corporais e seus Constituintes 4 - Regulação do Equilíbrio Ácido-Básico 5 - Doença Renal
VII – Metabolismo e Regulação da Temperatura
1 - Metabolismo dos Carboidratos e Formação do Trifosfato de Adenosina 2 - Metabolismo dos Lipídios 3 - Metabolismo das Proteínas 4 - Energética, Metabolismo e Regulação da Temperatura Corporal 5 - Balanço Dietético, Regulação da Alimentação, Obesidade e Vitaminas
VIII – Células do Sangue, Imunologia e Coagulação
1 - Hemácias, Leucócitos e Resistência à Infecção 2 - Imunidade, Alergia e Grupos Sanguíneos 3 - Hemostasia e Coagulação
IX – Endocrinologia e Reprodução
1 - Introdução à Endocrinologia. Os Hormônios Hipofisários 2 - Os Hormônios Metabólicos da Tireóide 3 - Os Hormônios Córtico-Supra-Renais 4 - Insulina, Glucagon e Diabetes Melito
5 - Hormônio Paratireóideo, Calcitonina, Metabolismo do Cálcio e Fosfato, Vitamina D, Ossos e Dentes 6 - Funções Reprodutivas Masculinas. Os Hormônios Sexuais Masculinos e a Glândula Pineal 7 - Fisiologia Feminina Antes da Gravidez e os Hormônios Femininos 8 - Gravidez, Amamentação e Fisiologia Fetal e Neonatal


I – Fisiologia de Membranas

1 – Transporte de Íons e de Moléculas Através da Membrana Celular
Os meios intra e extracelular caracterizam-se por apresentarem diferentes concentrações de substâncias como íons e outros metabólitos, do que depende a manutenção das diversas funções celulares. É conhecido o fato de que o meio extracelular está em constante movimento transportando moléculas e fluidos a todas as regiões do corpo, sendo necessária a comunicação e troca de materiais entre os meios extra e intracelular.
O metabolismo e manutenção da vida está diretamente relacionado com essas trocas de substâncias e as diferentes concentrações características de cada estrutura possuem grande relevância no que se refere ao êxito funcional e homeostático. Existem diversos mecanismos que facilitam ou dificultam a passagem de substâncias nos dois sentidos entre os meios intra e extracelular. Esses mecanismos podem ou não envolver gasto de energia, apresentando cada um sua especificidade quanto ao tipo de substância a ser transportada ou barrada.
A membrana citoplasmática apresenta uma dupla camada lipídica com proteínas entre essas camadas, sendo que essas proteínas atravessam a dupla camada lipídica em alguns lugares. São as chamadas proteínas transmembrana. Os dois tipos básicos de transporte que ocorrem através das membranas celulares são a difusão e o transporte ativo. A difusão, também chamada de transporte passivo, caracteriza-se pela passagem de moléculas diretamente através da camada lipídica ou pela ajuda de proteínas carreadoras transmembrana. A energia responsável pela difusão é a própria energia cinética das moléculas ou íons.
O transporte ativo ocorre através de uma proteína carreadora geralmente contra algum tipo de resistência. É o caso da passagem de íons de um meio pouco concentrado para um mais concentrado. Esse tipo de transporte necessita de energia, a qual é obtida pela quebra de uma ligação covalente na molécula de trifosfato de adenosina ou ATP. A difusão pode ser simples ou facilitada.
A difusão simples ocorre através da bicamada lipídica estando diretamente ligada à solubilidade e, conseqüentemente, à polaridade da molécula, ou através de canais protéicos onde as moléculas e íons simplesmente passam por esses canais devido seu tamanho reduzido. Esses canais protéicos possuem permeabilidade seletiva. É o caso dos canais de sódio que apresentam cargas negativas em sua parede interna atraindo esse íon e repelindo íons de carga negativa.
Os canais protéicos apresentam comportas que são projeções da proteína carreadora que regulam a entrada e saída desses íons. No caso dos canais de sódio a comporta localiza-se na face da membrana voltada para o meio extracelular enquanto nos canais de potássio a comporta está localizada na face da membrana voltada para o meio intracelular.
A abertura e fechamento das comportas pode ser regulada pela voltagem ou por agentes químicos. A difusão facilitada, também conhecida como difusão mediada por carreador, depende da fixação da estrutura a ser transportada a um receptor localizado na proteína carreadora. O transporte se dá através de alterações conformacionais na proteína levando o íon ou molécula ao lado oposto da membrana.
A substância que mais se difunde através da membrana celular é a água. Isso geralmente ocorre devido à osmose, movimento da água do meio menos concentrado para o mais concentrado. Denomina-se pressão osmótica à pressão necessária para neutralizar o efeito da osmose em um dado meio. Um dos exemplos mais conhecidos de transporte ativo é a bomba de sódio e potássio, a qual leva íons potássio para o interior da célula e íons sódio para o exterior.
Entre os componentes físicos da bomba de sódio e potássio existe uma proteína carreadora que possui, na parte que se projeta para o interior da célula, três receptores para o sódio e, na parte que se projeta para o exterior da célula, dois receptores para os íons potássio. A porção interna dessa proteína próximo aos sítios receptores para o sódio apresenta atividade ATPásica.
Uma das funções mais importantes da bomba de sódio e potássio é a manutenção do volume celular. Ela representa perda real de íons sódio uma vez que a cada dois íons potássio que entram na célula saem três íons sódio. Além disso, a membrana é menos permeável ao sódio que ao potássio, o que dificulta a entrada de íons sódio na célula. Se esse mecanismo não existisse, o citoplasma da célula ficaria muito concentrado, o que aumentaria o acúmulo de água por osmose e isso poderia fazer com que a célula explodisse.
Também possui relevância a existência de duas bombas de cálcio em nosso organismo. O cálcio deve ser mantido em concentrações muito baixas no citossol. Uma das bombas retira cálcio do meio intra para o extracelular e a outra transporta o cálcio para organelas vesiculares no interior da célula.
2 – Potenciais de Membrana e Potenciais de Ação
As membranas celulares apresentam diferenças de concentração entre o meio interno e externo. Essa diferença de concentração constitui a física básica dos potenciais de membrana.
É conhecido o fato de que a concentração de íons potássio é maior no meio intracelular e menor no meio extracelular. Isso faz com que ocorra uma tendência desses íons de se difundir para o exterior. À medida que esses íons passam para o meio externo, íons negativos que não são permeáveis à membrana permanecem no interior fazendo com que a carga no interior celular permaneça negativa.
O aumento da carga positiva no exterior e negativa no interior provoca uma mudança nesse processo, de maneira que os íons potássio passam a entrar novamente na célula. Isso tende a atenuar a diferença de potencial entre as duas faces da membrana. Por outro lado, há uma predominância natural de íons sódio no exterior da membrana.
Quando o meio intracelular torna-se negativo, esses íons começam a passar para o interior da célula. A bomba de sódio e potássio, encontrada em quase todas as células do nosso organismo, é extremamente importante para a manutenção e equilíbrio dos potenciais de membrana das células. Ela faz com que o meio interno fique negativo uma vez que a cada dois íons potássio são lançados ao interior, três íons sódio são lançados ao exterior.
A difusão de íons potássio pela membrana contribui em maior escala que o sódio para a formação do potencial de repouso normal da membrana uma vez que os íons potássio são muito mais permeáveis que os íons sódio. Os sinais nervosos são transmitidos por potenciais de ação que são rápidas variações dos potenciais de membrana.
O potencial de repouso é o potencial normal de uma membrana. Diz-se que a membrana está polarizada quando está em repouso por apresentar maior quantidade de cargas negativas em seu interior. O potencial de ação neural inicia-se quando cargas positivas são lançadas ao interior da membrana provocando uma rápida despolarização. Para a condução do impulso nervoso, esse potencial de ação deve percorrer toda a fibra nervosa.
Concomitantemente à despolarização ocorre uma repolarização em fração de milissegundos à medida que o potencial de ação segue seu curso. Na etapa de despolarização, a membrana fica subitamente permeável aos íons sódio que provocam uma alteração no potencial normal da porção interna da membrana, o qual está em torno de -90 mV.
O potencial varia rapidamente no sentido da positividade.
Na etapa de repolarização, os canais de sódio fecham-se rapidamente em poucos décimos de milissegundos e os canais de potássio abrem-se mais que o normal, eliminando potássio para fora da célula fazendo assim retornar o estado de negatividade em seu interior. O agente necessário para a produção da despolarização e repolarização da membrana neural é o canal de sódio voltagem-dependente.
O canal de sódio voltagem-dependente possui comportas de ativação e de inativação. Quando uma pequena variação do potencial de repouso tende à positividade, as comportas de ativação dos canais de sódio voltagem-dependentes se abrem e enorme quantidade de íons sódio passam para o meio intracelular. Esses canais começam então a se fechar mais lentamente que no momento da ativação e só irão abrir novamente quando o estado de repouso for atingido.
No momento da despolarização, os canais de potássio voltagem-dependentes encontram-se fechados impedindo assim a passagem de íons potássio para o exterior. Quando as comportas dos canais de sódio voltagem-dependentes começam a ser fechadas impedindo a passagem de sódio para o interior, os canais de potássio voltagem-dependentes começam a se abrir permitindo a passagem de grande quantidade de potássio para o exterior.
Dessa forma, o potencial de repouso é restabelecido. É importante lembrar que, além dos íons sódio e potássio, existem íons impermeantes com carga negativa ou ânions no interior do axônio que, por serem impermeáveis à membrana, contribuem de forma expressiva para a negatividade no interior celular quando íons positivos são expulsos para o exterior. Além disso, os íons cálcio atuam de maneira conjunta aos íons sódio na formação do potencial de ação.
Através da bomba de cálcio, esses íons são transportados do interior para o exterior da célula ou para organelas como o retículo endoplasmático. Assim, a saída desses íons contribui para a formação da negatividade no interior celular responsável pelo potencial de repouso, o qual varia entre -60 a -90mV.
O potencial de ação acontece devido a um Ciclo Vicioso de
Feedback Positivo. Quando uma perturbação mecânica, química ou elétrica provoca uma alteração no potencial de repouso da membrana no sentido da positividade, os canais de sódio voltagem-dependentes começam a se abrir. Isso permite o influxo de íons sódio para o interior da célula e conseqüente aumento da positividade, o que favorece a abertura de novos canais de sódio voltagem-dependentes. Isso gera um Ciclo Vicioso de Feedback Positivo que termina com a abertura de todos os canais de sódio voltagem-dependentes.
Quando todos os canais de sódio voltagem-dependentes estiverem abertos, inicia-se a etapa de repolarização com o fechamento lento dos canais de sódio e abertura dos canais de potássio. Para ocorrer o potencial de ação é necessário que seja atingido um limite mínimo na variação das cargas para que se inicie o ciclo vicioso. Esse limite é conhecido como Limiar de Excitabilidade.
Quando o Limiar de Excitabilidade é atingido inicia-se o potencial de ação e sua propagação. Quando o potencial de ação tem início, ele se propaga a todas as regiões da membrana e em todas as direções. Existe um princípio conhecido como Princípio do Tudo ou Nada, em que um potencial de ação deverá propagar-se a todas as regiões da membrana ou então esse potencial não acontece.
Após a propagação de um potencial de ação, é necessário o restabelecimento do gradiente de concentração entre os meios interno e externo à membrana. Isso ocorre devido à já conhecida bomba de sódio e potássio através da energia liberada a partir de moléculas de adenosina trifosfato.
Fato interessante é que tanto maior a concentração de íons sódio no interior da célula, maior o estímulo para o funcionamento da bomba de sódio e potássio.
I - Fisiologia Circulatória
1 – Pressão, Resistência e Fluxo
Os movimentos de contração ou sístole do coração impulsionam o sangue venoso do ventrículo direito aos pulmões, num circuito conhecido como pequena circulação ou circulação pulmonar e também ejetam sangue do ventrículo esquerdo à artéria aorta a partir da qual o sangue é distribuído a todo o organismo através da grande circulação ou circulação sistêmica.
Os movimentos de relaxamento ou diástole cardíaca proporcionam o aumento de volume do coração enquanto este se enche de sangue. Considera-se a pressão sistólica normal no valor de 120 mmHg e a diastólica no valor de 80 mmHg. A hipertensão é caracterizada por um valor sistólico igual ou superior a 140 mmHg e uma pressão diastólica igual ou superior a 90 mmHg.
As diferenças de pressão sanguínea fazem o sangue deslocar-se das regiões de alta pressão para as de baixa pressão. A circulação pulmonar ocorre a partir das artérias pulmonares direita e esquerda, resultantes do tronco pulmonar, que levam o sangue venoso do ventrículo direito aos pulmões.
Nos pulmões, as artérias se ramificam até formar uma rede de capilares onde ocorre a hematose ou substituição de gás carbônico por oxigênio no sangue. O sangue oxigenado retorna ao coração pelas veias pulmonares desembocando no átrio esquerdo. Do átrio esquerdo, o sangue passa para o ventrículo esquerdo e é ejetado pela aorta para a circulação sistêmica.
A aorta inicia uma série de ramificações que formam as grandes artérias, as artérias de médio e pequeno calibre, as arteríolas e os capilares. Do coração aos capilares o sangue vai perdendo pressão ao se deparar com os diversos fatores que determinam a resistência vascular.
Entre os principais fatores que determinam a resistência vascular estão a diminuição do calibre dos vasos e as alterações de trajeto, além das ramificações que aumentam a área a ser percorrida pelo sangue. Nos capilares, o sangue realiza as trocas de substâncias com os tecidos necessárias à manutenção da homeostasia interna do organismo.
O fluxo sanguíneo para os tecidos são controlados de acordo com as necessidades dos tecidos. A quantidade de sangue bombeada pelo coraçào num determinado período de tempo constitui o débito cardíaco. O débito cardíaco é controlado pela totalidade de fluxos locais dos tecidos. Num indívíduo adulto normal o débito cardíaco oscila em torno de 5 litros por minuto.
2 – Artérias, Veias e Capilares
As artérias possuem características que variam de acordo com a sua localização e função. Devido à ritmicidade das contrações cardíacas, as artérias apresentam pulsações que vão diminuindo devido à resistência vascular e chegam quase a zero no momento em que o sangue passa pelos capilares e pelos tecidos.
A complacência ou distensibilidade arterial permite o fluxo contínuo do sangue pelos tecidos, evitando que este ocorra apenas durante a sístole. As pressões são auscultadas utilizando-se um estetoscópio e um manguito que se enche de ar. No momento em que o manguito fecha a artéria em sua quase totalidade são escutados ruídos a cada sístole.
Estes ruídos são conhecidos como sons de Korotkoff e são causados pela passagem do sangue pelo vaso parcialmente fechado. O envelhecimento das paredes das artérias, causando endurecimento, espessamento e perda de elasticidade caracteriza um grupo de distúrbios conhecidos como arterioscleroses. As veias possuem a função de trazer o sangue de volta ao coração depois de ter passado pelos tecidos.
A união de todas as veias termina por formar as veias cavas superior e inferior que desembocam no átrio direito do coração. Assim, denomina-se pressão venosa central à pressão no átrio direito do coração. A pressão normal no átrio direito possui valor próximo de zero, podendo ser alterada em casos de insuficiência cardíaca. A pressão elevada do átrio direito provoca acúmulo de sangue nas veias e, consequentemente, há a formaçào de edema nos tecidos do corpo devido à dificuldade do líquido intersticial retornar às veias.
As veias dos membros inferiores possuem válvulas que impedem a descida do sangue, dividindo a coluna de sangue e, consequentemente, diminuindo a pressão causada pela gravidade facilitando assim o retorno venoso. A deficiências destas válvulas e a hipertensão intraluminal podem tornar as veias varicosas. As veias varicosas caracterizam-se por apresentam forma sinuosa e dilatada.
A microcirculação ocorre nos capilares e é através dela que os nutrientes e o oxigênio são levados aos tecidos e são removidas as excretas do metabolismo celular. O fluxo sanguíneo é controlado em cada tecido pelas necessidades que o tecido apresenta num determinado momento. Os capilares localizam-se entre uma arteríola e uma vênula. A transição entre as arteríolas e os capilares apresenta músculo liso que forma o esfíncter pré-capilar, o qual pode abrir e fechar a entrada do capilar.
A demanda por oxigênio provoca a abertura ou o fechamento dos capilares, controlando o período de tempo em que o fluxo passa pelo capilar.
3 - Trocas de Líquidos nos Capilares
Os capilares são formados por uma única camada de células endoteliais envolvidas por uma membrana basal, com espaço em seu interior suficiente para passar o diâmetro aproximado de uma hemácia.
Entre as células do endotélio capilar existem poros que permitem a troca de substâncias entre os capilares e os tecidos. Estes poros possuem características especiais em determinados tipos de órgãos como o encéfalo, onde os poros caracterizam junções praticamente fechadas permitindo a passagem de moléculas extremamente pequenas.
Esta característica dos capilares no encéfalo é conhecida como barreira hemoencefálica. A troca de substâncias entre os capilares e os tecidos ocorrem principalmente por difusão. As substâncias lipossolúveis atravessam diretamente as paredes do endotélio capilar por difusão, enquanto as substâncias hidrossolúveis apenas conseguem passar pelos poros do endotélio capilar.
A difusão é influenciada pelas diferenças de concentração entre os dois lados da membrana, prevalecendo do lado mais concentrado para o de menor concentração. O espaço localizado entre as células é denominado interstício e o líquido neste espaço é conhecido como líquido intersticial.
O interstício é formado por duas estruturas sólidas principais, as fibras colágenas e os filamentos de proteoglicanos. Além destas duas estruturas sólidas, o interstício também é formado por gel e líquido livre, os quais estão diretamente relacionados aos processos de trocas capilares. Os volumes plasmático e intersticial são determinados principalmente pelas proteínas plasmáticas e pelo líquido intersticial.
O movimento de líquido através da membrana capilar é determinado por quatro forças conhecidas em conjunto como “forças de Starling”. As forças de Starling são a pressão capilar, a pressão do líquido intersticial, a pressão coloidosmótica plasmática ou pressão oncótica e a pressão coloidosmótica do líquido intersticial. A pressão capilar força o líquido para fora do capilar.
A pressão do líquido intersticial força o líquido para dentro do capilar. A pressão coloidosmótica do plasma ou pressão oncótica atrai líquido para o interior dos capilares. A pressão coloidosmótica do líquido intersticial atrai líquido para o interstício. Em condições normais, a quantidade de líquido que sai dos capilares é aproximadamente igual à quantidade de líquido que entra nos capilares, caracterizando o Equilíbrio de Starling para as trocas capilares.
O sistema linfático é um sistema de drenagem do líquido intersticial que devolve o líquido à circulação sanguínea. Além da função de drenagem, o sistema linfático faz parte do sistema imunológico, uma vez que grandes moléculas, células neoplásicas e até mesmo bactérias podem atingir a circulação linfática, sendo destruídas nos linfonodos.
4 - Controle Local e Humoral do Fluxo Sanguíneo
O controle do fluxo sanguíneo é realizado de três maneiras diferentes: em razão das necessidades locais dos tecidos, através do sistema nervoso e por mecanismos humorais. O controle local está diretamente relacionado com o metabolismo dos tecidos. Assim, os músculos em repouso são pouco irrigados enquanto os rins, o encéfalo e, em particular, a glândula pineal são extremamente vascularizados em função das necessidades metabólicas e funcionais destes órgãos e tecidos.
O mecanismo de regulação do fluxo sanguíneo local é explicado por duas teorias básicas, a teoria da demanda de oxigênio e a teoria da vasodilatação. A teoria da demanda de oxigênio explica o aumento do fluxo sanguíneo em consequência da pouca disponibilidade de oxigênio. A teoria da vasodilatação explica a produção de substâncias vasodilatadoras como a adenosina, o dióxido de carbono, o ácido lático e a histamina em consequência das necessidades metabólicas ou da disponibilidade de oxigênio.
A regulação neurológica do fluxo sanguíneo é descrita no ítem 5. A regulação humoral é feita a partir de substâncias como hormônios e íons lançados na corrente circulatória. Alguns agentes são vasoconstritores como a norepinefrina e a epinefrina, a angiotensina, a vasopressina e a endotelina. A norepinefrina e a epinefrina também podem causar vasodilatação e causam os mesmos efeitos que a estimulação simpática.
A angiotensina causa vasoconstrição das pequenas arteríolas em todo o organismo, provocando vasoconstrição periférica generalizada e aumento da pressão arterial. A vasopressina ou hormônio antidiurético é produzida no hipotálamo e armazenada na neurohipófise, é mais potente que a angiotensina na vasoconstrição e talvez seja a substância vasoconstritora mais potente do organismo. Atua também na reabsorção de água a partir dos túbulos renais.
A endotelina é liberada quando ocorre lesão do endotélio e causa vasoconstrição evitando o sangramento, principalmente nas artérias cerebrais, renais e coronárias. Alguns agentes são vasodilatadores como a bradicinina, a histamina e as prostaglandinas. A histamina, produzida nos mastócitos, é liberada quando ocorre lesão, inflamação ou reação alérgica.
As prostaglandinas são comumente liberadas durante a inflamação e são produzidas pela via da ciclooxigenase no metabolismo do ácido araquidônico. A alta concentração de alguns íons como o cálcio pode causar vasoconstrição enquanto altas concentrações de potássio, magnésio, sódio e hidrogênio causa vasodilatação.
5 – Controle Neurológico da Circulação
A regulação neurológica da circulação funciona como complemento do controle local do fluxo sanguíneo. O sistema nervoso autônomo simpático é fundamental na regulação da pressão arterial, enquanto o parassimpático, representado pelo nervo vago, diminui a frequência cardíaca, sendo esta a única função do parassimpático no controle da circulação.
O sistema simpático aumenta a resistência das pequenas artérias e arteríolas, causando vasoconstrição periférica e aumento de volume e pressão nas grandes artérias e no coração. A frequência cardíaca e a força de bombeamento aumentam devido ao estímulo simpático. A vasoconstrição causada pelo simpático é atenuada em estruturas como o músculo esquelético e o cérebro, embora seja pronunciada no intestino, nos rins, na pele e no baço.
O centro vasomotor está localizado no bulbo e na porção inferior da ponte, fazendo parte da formação reticular. O centro vasomotor envia fibras parassimpáticas ao coração através do nervo vago saindo pelo sulco lateral posterior do bulbo e fibras simpáticas ao restante dos vasos sanguíneos partindo da porção simpática da medula espinhal no funículo lateral da medula que se continuam no tronco simpático, pertencente ao sistema nervoso periférico.
Experimentos demonstraram a existência, no centro vasomotor, de uma área vasoconstritora, uma área vasodilatadora e uma área sensorial. A área vasoconstritora ou C-1 localiza-se bilateralmente na porção ântero-lateral superior do bulbo. Os neurônios da área vasoconstritora secretam norepinefrina. A área vasodilatadora ou A –1 localiza-se bilateralmente na porção ântero-lateral do bulbo, inferiormente à área vasoconstritora.
Os neurônios da área vasodilatadora projetam-se superiormente para a área vasoconstritora inibindo-a e causando vasodilatação. A área sensorial ou A – 2 localiza-se bilateralmente no núcleo do tracto solitário na região póstero-lateral do bulbo e parte inferior da ponte. A parte lateral do centro vasomotor controla o aumento da frequência cardíaca através de fibras simpáticas.
A porção medial do centro vasomotor é caracterizada pela presença do núcleo dorsal do vago, em situação par, que diminui a frequência cardíaca. O centro vasomotor pode ser estimulado pelo hipotálamo, pelo córtex e por toda a formação reticular.
A estimulação da região póstero-lateral do hipotálamo está relacionada com o simpático e causa excitação do centro vasomotor causando vasoconstrição periférica e aumento da pressão e fluxo sanguíneo central. A estimulação da região anterior do hipotálamo está relacionada com o parassimpático e causa inibição do centro vasomotor e provocando a diminuição da frequência cardíaca. Diversas áreas do córtex cerebral podem excitar ou inibir o centro vasomotor.
A vasoconstrição simpática é causada pela ligação da norepinefrina aos receptores alfa do músculo liso. A ligação da norepinefrina aos receptores beta em alguns tecidos do corpo causa vasodilatação. A norepinefrina é liberada a partir das glândulas supra-renais por ação do simpático. Uma das principais vantagens do controle nervoso da circulação é a capacidade de aumentar rapidamente a pressão arterial em casos de necessidade utilizando todas as suas funções relacionadas ao controle da circulação em unidade.
Outro tipo de controle é realizado através do reflexo baroceptor, que utiliza receptores de estiramento localizados em grandes artérias para enviar informações ao sistema nervoso central. Os receptores do seio carotídeo, localizados na bifurcação da artéria carótida comum, enviam sinais pelo nervo de Hering ao glossofaríngeo de onde o impulso segue ao núcleo do tracto solitário passando a estimular o centro vasomotor.
A diminuição na concentração de oxigênio estimula quimiorreceptores localizados na bifurcação das carótidas denominados corpos carotídeos ou glomus carotídeo, que emitem sinais pelos nervos de Hering e pelos vagos ao centro vasomotor.

6 – Os Rins e a Regulação da Pressão Arterial
O aumento de líquido intravascular aumenta a pressão arterial. A presença de sódio na circulação sanguínea produz aumento da volemia por aumentar a osmolalidade. O aumento da osmolalidade estimula o centro da sede no hipotálamo e aumenta a produção de hormônio anti-diurético.
A estimulação do centro da sede faz o indivíduo beber água em quantidade suficiente para diluir o sal até a concentração normal. Considerando-se estes fatores e acrescentando-se que a eliminação renal de sódio é mais lenta que a eliminação renal de água, fica fácil compreender porque a ingestão excessiva de sal aumenta mais a pressão arterial do que a ingestão de grandes quantidades de água.
Sempre que há um aumento no volume de líquido extracelular a pressão arterial sobe e os rins iniciam um mecanismo que aumenta a diurese ou eliminação de água através da urina e a natriurese ou eliminação de sódio através da urina com a finalidade de fazer a pressão voltar ao normal. Este é o mecanismo básico de controle da pressão arterial pelos rins.
Outros mecanismos mais refinados que surgiram durante a evolução, porém, permitiram aos rins o controle a longo prazo da pressão arterial, destacando-se o sistema reninaangiotensina. A importância da hipertensão arterial está relacionada à idéia de que, mesmo em indivíduos com hipertensão moderada, a expectativa de vida está sensivelmente diminuída.
Entre os danos causados pela hipertensão destacam-se a possibilidade de surgimento de uma doença cardíaca congestiva, a ruptura de vasos cerebrais e a formação de lesões renais. O sistema renina-angiotensina inicia-se com a liberação de renina na circulação pelos rins, iniciando uma série de reações que produz angiotensina I e angiotensina I. A angiotensina I é um potente vasoconstritor, causando vasoconstrição periférica e aumento da pressão arterial. Além de causar vasoconstrição periférica, a angiotensina I também atua nos rins diminuindo a excreção de sal e água.
A ativação do sistema renina-angiotensina aumenta a secreção de aldosterona que atua na reabsorção renal de água e, principalmente, de sódio. Uma importante função do sistema renina-angiotensina é permitir a ingestão de pequenas ou grandes quantidades de sal sem alterar significativamente a pressão arterial.
7 - Choque Circulatório e Débito Cardíaco
O choque circulatório é caracterizado por uma hipoperfusão disseminada pelos tecidos causando danos devido ao suprimento deficiente de oxigênio e nutrientes. O choque pode ser considerado não progressivo, progressivo e irreversível. No choque não progressivo ou compensado, o organismo consegue reverter a situação recuperando a normalidade circulatória.
O choque progressivo torna-se cada vez pior e leva o indivíduo à morte se não forem tomadas medidas intervencionistas. O choque irreversível caracteriza-se por levar a pessoa à morte independente de qualquer tentativa intervencionista de reverter o quadro. Embora às vezes seja possível restabelecer os níveis circulatórios normais no choque irreversível, as lesões teciduais não permitem a sobrevivência e a morte ocorre em pouco tempo.
Contudo, não há um limite preciso entre a condição de choque progressivo e o choque irreversível. Isto significa que, enquanto houver vida, não se deve abrir mão de qualquer tentativa terapêutica. O choque hipovolêmico também é conhecido como choque hemorrágico e causa vasoconstrição periférica e aumento da frequência cardíaca de 72 bpm em média para níveis que podem chegar próximo de 200 bpm como tentativa de reparar o dano tecidual.
No choque hipovolêmico, causado por diminuição do volume sanguíneo, a pressão arterial geralmente diminui à medida que a volemia decresce. O choque séptico é caracterizado pela disseminação generalizada de bactérias pela circulação causando graves danos aos tecidos.
O choque séptico é causa frequente de mortes nos hospitais modernos e pode ser causado por fatores como a peritonite, causada por infecções intestinais envolvendo lesões ou por abortamento realizado sem condições estéreis; infecção generalizada resultante de infecções em locais isolados, infecções gangrenosas e infecções renais e do trato urinário, entre outras.
No choque séptico geralmente ocorre febre ou hipertermia neurogênica, vasodilatação, diminuição do débito cardíaco e a formação de microcoágulos. No choque circulatório também é comum ocorrer parada circulatória em decorrência da parada cardíaca por deficiência de oxigênio, fibrilação ventricular ou problemas anestésicos.
A parada circulatória pode causar lesões irreversíveis no cérebreo devido á formação de coágulos e à hipóxia. Pesquisas demontraram que a utilização de drogas fibrinolíticas durante a parada circulatória causa uma diminuição nos efeitos deletérios sobre o cérebro em um mesmo intervalo de tempo.
Débito cardíaco é a quantidade de sangue que o ventrículo esquerdo bombeia para a aorta a cada minuto. O débito cardíaco varia em torno de 5 a 6 litros no indivíduo adulto normal. O mecanismo de Frank-Starling do coração explica a determinação do débito cardíaco pelo retorno venoso. Segundo a lei de Frank-Starling, quanto maior a quantidade de sangue que retorna ao coração, maior será a força de contração ventricular.
De outra forma, também pode-se considerar a regulação do débito cardíaco como resultado do controle local do fluxo sanguíneo em todas as partes do organismo conjuntamente. A força de contração cardíaca pode aumentar consideravelmente em resposta a estímulos nervosos e ao aumento do trabalho ou esforço físico, causando hipertrofia adaptativa das fibras musculares cardíacas.
Por outro lado, algumas patologias como doenças valvulares e a hipertensão podem tornar o coraçãp hipoefetivo. O débito cardíaco alto geralmente é causado pela redução da resistência periférica e em algumas patologias como o beribéri, fístulas arteriovenosas, hipertireoidismo e anemia.
8 – Fluxo Sanguíneo Muscular e a Circulação Coronária
O controle local do fluxo sanguíneo muscular está ligado à necessidade de consumo de oxigênio, o que provoca alterações como a vasodilatação causada principalmente pela liberação de adenosina. O sistema nervoso também controla o fluxo sanguíneo muscular através do simpático, que provoca a liberação de norepinefrina causando vasoconstrição ao agir sobre os receptores alfa das células musculares lisas das arteríolas.
A vasoconstrição pode reduzir sensivelmente a irrigação sanguínea. Durante o exercício, o sistema simpático eleva o débito cardíaco e a pressão arterial. As artérias coronárias realizam quase a totalidade do suprimento sanguíneo do coração, enquanto uma pequena porção da superfície interna das câmaras cardíacas absorve nutrientes diretamente do sangue encontrado nas câmaras.
As principais artérias coronárias localizam-se abaixo do epicárdio e acima do miocárdio e seus ramos penetram no interior do músculo cardíaco. A artéria coronária esquerda irriga as porções anterior e lateral do ventrículo esquerdo. A artéria coronária direita irriga a maior parte do ventrículo direito e a parte posterior do ventrículo esquerdo.
A irrigação sanguínea coronariana é muito mais expressiva na diástole devido à condição de relaxamento do músculo cardíaco. O controle do fluxo sanguíneo coronariano está relacionado principalmente com as necessidades de consumo de oxigênio. O sistema simpático, ao liberar norepinefrina, provoca aumento da fequência cardíaca, vasodilatação coronariana e aumento do fluxo sanguíneo.
O sistema parassimpático, através dos nervos vagos, libera acetilcolina e diminui a frequência cardíaca, realizando vasoconstrição coronariana e diminuindo o suprimento sanguíneo. A doença cardíaca isquêmica, uma das principais causas de mortes em todo o mundo, pode ser causada principalmente por oclusão coronária e fibrilação ventricular.
A oclusão coronária é frequentemente causada pela aterosclerose. No início, ocorre o depósito de colesterol e seus ésteres no interior da íntima das artérias, em especial as coronárias, seguido de invasão por tecido fibroso que acaba por formar o ateroma ou placa fibrogordurosa que aumentam de tamanho até se transformar em grandes placas ateroscleróticas. Estas placas podem se soltar formando êmbolos ou aumentar de tamanho até causar a obstrução total ou parcial do vaso causando isquemia e necrose.
A placa aterosclerótica também pode formar trombos. A necrose do tecido cardíaco é conhecida como infarto e é causa frequente de mortes. No caso de oclusão coronariana, as anastomoses que fazem a circulação colateral coronária podem salvar vidas. Em condições normais, o indivíduo não sente o seu coração.
Durante o infarto, entretanto, a isquemia causa dor provavelmente por liberar substâncias que estimulam as terminações nervosas da dor no coração. A Angina Pectoris é consequência de uma isquemia transitória que não evolui para o infarto por não causar necrose, apesar de causar dor intensa.
9 – Bulhas Cardíacas
As bulhas cardíacas são os sons que ocorrem após o fechamento das válvulas que constituem as valvas cardíacas. Os sons característicos das bulhas cardíacas não são provocados pelo fechamento das válvulas mas devido à vibração das válvulas tensas, das paredes do coração, dos grandes vasos e do sangue.
As vibrações são propagadas às paredes do tórax e podem ser ouvidas com o auxílio de um estetoscópio. A primeira bulha ocorre após o fechamento das valvas atrioventriculares ou tricúspide e mitral. A segunda bulha ocorre após o fechamento das valvas pulmonar e aórtica e o som é provocado pelo estiramento elástico das grandes artérias que causa a rápida movimentação do sangue ao mesmo tempo em sentido anterógrado e retrógrado provocando reverberação audível.
A terceira bulha possui um som fraco e ocorre no terço médio da diástole. A quarta bulha ou bulha atrial ocorre quando os átrios se contraem. A terceira e a quarta bulha cardíaca raramente são perceptíveis ao estetoscópio. Algumas patologias podem ser caracterizadas por alterações nas bulhas cardíacas.
A doença reumática possui característica auto-imune e causa lesão nas válvulas e valvas cardíacas. É causada pela toxina estreptocócica, sendo muito comum em pacientes que tiveram inflamação na garganta devido infecção pelos estreptococos beta hemolíticos do grupo A de Lancefield. O principal antígeno do estreptococo, o antígeno M, induz a produção de anticorpos que causam reação cruzada com antígenos localizados nos tecidos do paciente, em especial as válvulas cardíacas causando lesões fibrinóides, hemorrágicas e bulbosas.
A valva mitral sofre a maior quantidade de traumatismos seguida pela valva aórtica. A estenose ocorre devido à união de partes adjacentes dos folhetos ou válvulas com formação de tecido fibroso e a regurgitação ocorre devido à dificuldade de fechamento das válvulas.
A alteração das bulhas cardíacas devido às lesões valvulares é conhecida como sopro cardíaco. Os mais comuns são o sopro da estenose aórtica, o sopro da regurgitação aórtica, o sopro da estenose mitral e o sopro da regurgitação mitral. O sopro da estenose aórtica é causado pela passagem do sangue em alta velocidade por uma pequena abertura cicatricial da valva aórtica, provocando aumento da pressão no ventrículo esquerdo e intensa turbulência sanguínea na raíz da aorta.
O som é ouvido durante a sístole devido ao efeito de mangueira estreitada. O sopro da regurgitação aórtica é ouvido na diástole e causado pelo retorno de parte do sangue da aorta para o ventrículo esquerdo. O sopro da estenose mitral é muito fraco e raramente é ouvido e ocorre devido à dificuldade do sangue em passar do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo.
O sopro da regurgitação mitral ocorre devido ao refluxo de sangue do ventrículo esquerdo para o átrio esquerdo e é ouvido durante a sístole apresentando semelhança com o sopro da regurgitação aórtica. O principal efeito de uma estenose ou regurgitação sobre a circulação é o bombeamento deficiente do coração. As lesões da valva aórtica causam acúmulo de sangue no ventrículo esquerdo e hipertrofia ventricular.
Em alguns casos, mesmo um ventrículo hipertrofiado não consegue bombear quantidades suficientes de sangue, caracterizando a insuficiência cardíaca. O defeito da valva mitral pode causar arritmias em decorrência da dilatação do átrio esquerdo e aumento da área para transmissão dos impulsos nervosos e edema pulmonar com hipertensão das veias e capilares pulmonares.
I - Fisiologia Cardíaca
1 – O Coração e o Bombeamento Cardíaco
O coração consiste em duas bombas separadas: um coração direito que bombeia o sangue através dos pulmões e um coração esquerdo que bombeia o sangue através dos órgãos periféricos. O átrio funciona principalmente como uma bomba fraca, que auxilia a impulsionar o sangue para o ventrículo. O ventrículo, por sua vez, fornece a principal força para propelir o sangue através das circulações pulmonar e periférica.
O músculo cardíaco é estriado, da mesma forma que o músculo esquelético típico. Os discos intercalares são membranas que separam as células musculares cardíacas umas das outras. Ou seja, as fibras musculares cardíacas são formadas por muitas células individuais conectadas em série entre si. A resistência elétrica através dos discos intercalares é somente 1/400 da resistência através da membrana externa da fibra muscular cardíaca.
As membranas celulares se fundem de tal maneira que se formam junções comunicantes “gap junctions” muito permeáveis, as quais permitem a difusão relativamente livre de íons. O múscul cardíaco é um sincício de muitas células musculares cardíacas, no qual as células cardíacas são tão interconectadas que, quando uma dessas células é estimulada, o potencial de ação se propaga para todas as outras, transmitindo-se de célula em célula e também propagando-se através da rede de interconexões.
O coração é formado por dois sincícios distintos: o sincício atrial e o sincício ventricular. Normalmente, os potenciais de ação podem ser conduzidos do sincício atrial para o sincício ventricular somente por meio de um sistema de condução especializado, o feixe atrioventricular. Os eventos cardíacos que ocorrem desde o início de um batimento cardíaco até o início do batimento seguinte denominam-se ciclo cardíaco.
Cada ciclo começa pela geração espontânea de um potencial de ação no nodo sinusal. O ciclo cardíaco consiste em um período de relaxamento denominado diástole, durante o qual o coração se enche de sangue, seguido por um período de contração denominado sístole. O sangue normalmente flui das grandes veias para os átrios; aproximadamente 75% do sangue fluem diretamente dos átrios para os ventrículo antes mesmo que os átrios se contraiam. A contração atrial provoca um enchimento adicional dos ventrículos de cerca de 25%.
Bulhas Cardíacas: A primeira bulha está relacionada com o fechamento das valvas tricúspide e mitral e com a abertura das valvas aórtica e pulmonar. A segunda bulha ocorre no momento em que se fecham as valvas aórtica e pulmonar. Após a segunda bulha, 75% do sangue atrial desce passivamente para os ventrículos e causam a terceira bulha ao bater na parede ventricular. A quarta bulha ocorre devido à contração atrial que impulsiona os 25% restantes de sangue para os ventrículos. Quando há desdobramento da segunda bulha, a valva aórtica fecha antes que a pulmonar.
A energia química para a contração cardíaca é derivada principalmente do metabolismo oxidativo de ácidos graxos. Portanto, a intensidade do consumo de oxigênio pelo coração é excelente indicador da energia química liberada enquanto o coração realiza seu trabalho.
A capacidade intrínseca do coração de se adaptar aos diferentes volumes de sangue que fluem para o seu interior é denominada mecanismo de Frank-Starling do coração. A eficiência do bombeamento cardíaco é muito controlada pelos nervos simpáticos e parassimpáticos (vagos), que suprem com abundância o coração. A quantidade de sangue bombeada pelo coração a cada minuto constitui o débito cardíaco.
A excitação do coração é feita pelos nervos simpáticos e a diminuição dos batimentos cardíacos ocorre devido ao estímulo parassimpático (vagal).
2 – A Excitação Rítmica do Coração
O coração possui um sistema especializado para a geração de impulsos rítmicos que produzem a excitação que provoca a contração rítmica do músculo cardíaco e para a condução rápida desses impulsos através do coração.
O sistema especializado de excitação é composto pelo nodo sinusal ou sinoatrial (SA), onde é gerado o impulso rítmico normal; pelas vias internodais, que conduzem o impulso do nodo sinusal para o nodo atrioventricular; pelo nodo atrioventricular (AV), onde o impulso proveniente dos átrios é retardado antes de passar pelos ventrículos; pelo feixe atrioventricular, que conduz o impulso dos átrios para os ventrículos; e pelos feixes esquerdo e direito das fibras de Purkinje, que conduzem o impulso cardíaco a todas as partes dos ventrículos.

Muitas fibras cardíacas têm a capacidade de autoexcitação, um processo que pode causar descarga automática rítmica e contração. Esse é o caso particular das fibras do nodo sinusal. Por essa razão, em condições normais, o nodo sinusal controla a frequência dos batimentos de todo o coração. O nodo sinusal está localizado na parede ânterosuperior do átrio direito, abaixo do óstio da veia cava superior.
O nodo atrioventricular é especializado para causar um retardo na condução do impulso na passagem dos átrios para os ventrículos. Esse retardo fornece tempo para os átrios esvaziarem o excesso de sangue nos ventrículos, antes do início da contração ventricular. O nodo AV está localizado na parede septal do átrio direito, imediatamente posterior à valva tricúspide.
As fibras de Purkinje conduzem o impulso a partir do nodo
AV para os ventrículos em alta velocidade. O feixe se divide em ramos esquerdo e direito, que se situam sob o endocárdio dos dois lados do septo. O impulso se propaga quase imediatamente para toda a superfície do endocárdio do músculo ventricular.
O nodo AS controla os batimentos cardíacos porque sua frequência de descargas rítmicas é maior do que a de qualquer outra parte do coração. Um marcapasso em qualquer outra região do coração que não o nodo SA é denominado marcapasso ectópico. Evidentemente, um marcapasso ectópico causa uma sequência anormal de contrações das diferentes partes do coração, podendo provocar diminuição do bombeamento cardíaco.
O coração é provido de nervos simpáticos e parassimpáticos. Os nervos parassimpáticos (vagos) estão distribuídos principalmente nos nodos SA, AV, em menor densidade na musculatura atrial e, em proporção menor ainda, na musculatura ventricular. Por outro lado, os nervos simpáticos distribuem-se para todas as partes do coração, com grande presença no músculo ventricular.
A estimulação parassimpática (vagal) pode diminuir ou mesmo bloquear o ritmo e a condução no coração. A estimulação dos nervos parassimpáticos provoca a liberação do hormônio acetilcolina nas terminações vagais. Entretanto, mesmo que a estimulação parassimpática seja suficientemente intensa para parar o coração, no máximo em 20 segundos, algum ponto das fibras de Purkinje, em geral a porção do feixe AV no septo ventricular, desenvolve um ritmo próprio e causa contração ventricular na frequência de 15 a 40 bpm. Esse fenômeno é denominado escape ventricular.
A estimulação simpática causa essencialmente efeitos opostos aos da estimulação parassimpática sobre o coração. Ela aumenta a frequência das descargas no nodo SA, a velocidade de condução e o nível da excitabilidade em todas as regiões do coração. A estimulação dos nervos simpáticos libera o hormônio norepinefrina, que aumenta a permeabilidade da membrana da fibra ao sódio e ao cálcio.
O aumento da permeabilidade aos íons cálcio é, pelo menos parcialmente, responsável pelo aumento na força de contração do músculo cardíaco sob a influência da estimulação simpática, pois os íons cálcio desempenham um importante papel na estimulação do processo contrátil das miofibrilas.
3 – Eletrocardiograma e Anormalidades Cardíacas
À medida que o impulso cardíaco se propaga através do coração, as correntes elétricas se espalham pelos tecidos que o circundam e uma pequena proporção se propaga até a superfície do corpo. Ao colocar eletrodos sobre a pele, em lados opostos do coração, os potenciais elétricos gerados por essas correntes podem ser registrados. Esse registro é conhecido como eletrocardiograma (ECG). O eletrocardiograma normal é composto por uma onda P, um “complexo QRS” e uma onda T. O complexo QRS é comumente formado por três ondas distintas, a onda Q, a onda R e a onda S. A onda P é produzida por potenciais elétricos gerados à medida que os átrios se despolarizam, antes de contrair-se. O complexo QRS se deve aos potenciais gerados quando os ventrículos se despolarizam, antes de contrair-se. Assim, tanto a onda P quanto os componentes do complexo QRS são ondas de despolarização. A onda T é devida aos potenciais gerados durante a recuperação dos ventrículos do estado de despolarização, sendo uma onda de repolarização.
Eletrocardiograma normal
Antes que a contração do músculo possa ocorrer, a despolarização deve se propagar através dele para iniciar os processos químicos da contração. A onda P ocorre, portanto, no início da contração dos átrios e a onda QRS ocorre no início da contração dos ventrículos. Os ventrículos permanecem contraídos por uns poucos milésimos de segundo após a ocorrência da repolarização, ou seja, até após o término da onda T. O período de tempo entre o início da onda P e o início da onda QRS corresponde ao intervalo entre o início da contração dos átrios e o início da contração dos ventrículos. Esse intervalo também é algumas vezes denominado intervalo P-R, pois a onda Q com frequência está ausente.
Interpretação eletrocardiográfica das arritmias cardíacas:
Bloqueio atrioventricular: pode ocorrer em consequência de isquemia das fibras do feixe AV, compressão do feixe AV por tecido cicatricial ou porções calcificadas do coração, inflamação do feixe AV ou estimulação extrema do coração pelos nervos vagos. O bloqueio atrioventricular caracteriza-se eletrocardiograficamente por perda do complexo QRS.
Bloqueio atrioventricular incompleto
Bloqueio atrioventricular completo
Síndrome de Stokes-Adams – Escape Ventricular: Em alguns pacientes com bloqueio atrioventricular, o bloqueio total aparece e desaparece – isto é, os impulsos são conduzidos dos átrios para os ventrículos por minutos, horas ou dias e, então, subitamente nenhum dos impulsos é transmitido. Imediatamente após o bloqueio da condução AV, os ventrículos param de contrair-se por 5 a 10 segundos. Então, alguma parte do sistema de Purkinje começa a disparar ritmicamente numa frequência de 15 a 40 vezes por minuto, atuando como um marcapasso ventricular, o que é chamado de escape ventricular. Como o cérebro não pode permanecer ativo por mais de 4 ou 5 segundos sem o suprimento sanguíneo, os pacientes comumente desmaiam entre o bloqueio da condução e o “escape” dos ventrículos. Esses desmaios periódicos são conhecidos como síndrome de Stokes-Adams.
Contrações prematuras: Uma contração prematura é uma contração do coração que ocorre antes do tempo previsto.
Contração atrial prematura:
Contração atrial prematura
Contrações ventriculares prematuras: caracterizadas por complexos QRS-T anormais de grande amplitude.
Contrações ventriculares prematuras, exemplificadas por complexos QRS-T anormais de grande amplitude
Taquicardia paroxística: O termo taquicardia significa frequência cardíaca elevada.
Taquicardia atrial paroxística: caracterizada por uma onda P invertida.
Taquicardia atrial paroxística
Taquicardia ventricular paroxística: predispõe à fibrilação ventricular.
Taquicardia ventricular paroxística
Fibrilação ventricular: Se não for tratada rapidamente, é quase sempre fatal. Caracteriza-se pela contração de diferentes e pequenas partes do músculo cardíaco ao mesmo tempo, enquanto quase igual número de regiões se estarão relaxando. Na fibrilação ventricular o ECG é extremamente grotesco e, ordinariamente, não apresenta ritmo regular de nenhuma espécie.
Fibrilação ventricular
Desfibrilação dos ventrículos por eletrochoque: Embora a corrente alternada de baixa intensidade quase sempre inicie a fibrilação ventricular, uma corrente elétrica de alta intensidade, aplicada através dos ventrículos por um curto intervalo de tempo, pode interromper a fibrilação fazendo com que todo o músculo ventricular se torne refratário simultaneamente. Isto é conseguido passando-se uma diferença de potencial intensa – vários mil volts por uma pequena fração de segundo – através de eletrodos aplicados ao tórax. Todos os impulsos cessam e o coração permanece quiescente por três a cinco segundos, após os quais começa novamente a bater, normalmente com o nodo SA ou outra parte do coração funcionando como marcapasso.
Fibrilação atrial: O mecanismo da fibrilação atrial é idêntico ao da fibrilação ventricular, exceto que o processo ocorre na massa atrial. Uma causa muito frequente para a fibrilação atrial é o aumento da cavidade atrial resultante de lesões das valvas cardíacas, que impedem que os átrios se esvaziem adequadamente, ou resultantes de insuficiência ventricular, com excessivo represamento de sangue nos átrios. Durante a fibrilação atrial, os átrios também não bombeiam sangue. Portanto, os átrios tornam-se sem uso como bombas de reforço para os ventrículos. Entretanto, em contraste com a fibrilação ventricular, uma pessoa pode viver por meses, ou mesmo anos, embora com a eficiência do bombeamento cardíaco reduzida. Na fibrilação atrial não se observam ondas P no ECG.
Fibrilação atrial
IV – Fisiologia Respiratória
1 – Ventilação e Circulação Pulmonar
Os pulmões podem ser expandidos e contraídos pelo movimento de subida e descida do diafragma e pela elevação e abaixamento das costelas. A respiração normal ocorre basicamente pelo movimento do diafragma. Durante a inspiração, a contração do diafragma traciona as superficies inferiores dos pulmões para baixo. Durante a expiração, o diafragma simplesmente relaxa e a retração elástica dos pulmões, da parede torácica e das estruturas abdominais comprime os pulmões.
Durante a respiração forçada, os músculos abdominais empurram o conteúdo abdominal para cima contra a superficie inferior do diafragma. O pulmão é uma estrutura elástica que se colapsa como um balão e expele todo seu ar através da traquéia quando não está sendo inflado.
Não existem pontos de fixação entre o pulmão e as paredes da caixa torácica, exceto onde ele está preso por seu hilo ao mediastino. O pulmão flutua na caixa torácica circundado pelo líquido pleural. A pressão do líquido pleural é ligeiramente negativa, o que se faz necessário para manter os pulmões distendidos no seu nível de repouso.
A pressão alveolar é a pressão no interior dos alvéolos pulmonares. Quando a glote está aberta e não há entrada ou saída de ar dos pulmões, a pressão alveolar é exatamente igual à pressão atmosférica. Para que haja entrada de ar durante a inspiração, a pressão alveolar deve descer para um valor abaixo da pressão atmosférica.
Durante a expiração, a pressão alveolar se eleva acima da pressão atmosférica. O grau de expansão pulmonar para cada unidade acrescida na pressão transpulmonar é chamado de compliância ou complacência. O surfactante é um agente tensoativo superficial produzido pelos pneumócitos do tipo I que reduz sensivelmente a tensão superficial, diminuindo a tendência dos alvéolos ao colapso com conseqüente expulsão do ar pela traquéia.
Um método simples de estudo da ventilação pulmonar é registrar o volume do ar em movimento para dentro e para fora dos pulmões, um processo denominado espirometria. O volume corrente é o volume de ar inspirado ou expirado em cada respiração normal. O volume de reserva inspiratória é o volume extra de ar que pode ser inspirado além do volume corrente normal.
O volume de reserva expiratória é a quantidade extra de ar que pode ser expirada forçadamente ao final da expiração do volume corrente normal. O volume residual é o volume de ar que permanece nos pulmões após uma expiração vigorosa. A capacidade inspiratória é igual à soma do volume corrente mais o volume de reserva inspiratória.
A capacidade funcional residual é igual à soma do volume de reserva expiratória mais o volume residual. A capacidade vital é igual à soma do volume de reserva inspiratória mais o volume corrente mais o volume de reserva expiratória. A capacidade pulmonar total é o volume máximo de expansão pulmonar com o maior esforço inspiratório possível ; é igual à capacidade vital mais o volume residual.
O volume respiratório por minuto é igual à freqüência respiratória multiplicada pelo volume corrente. A importância fundamental do sistema de ventilação pulmonar é a renovação contínua do ar nas áreas pulmonares de trocas gasosas onde o ar está em estreito contato com o sangue pulmonar. Estas áreas incluem os alvéolos, os sacos alveolares, os ductos alveolares e os bronquíolos respiratórios.
A intensidade com que o ar alcança estas áreas é chamada de ventilação alveolar. Parte do ar que uma pessoa respira nunca alcança as áreas de trocas gasosas, mas preenche as vias respiratórias onde não ocorrem as trocas gasosas. Este ar é chamado de ar do espaço morto porque não é usado no processo de trocas gasosas; as vias respiratórias onde não ocorrem as trocas gasosas são chamadas de espaço morto.
A norepinefrina e a epinefrina causam a dilatação simpática da árvore brônquica. A acetilcolina provoca a constrição parassimpática dos bronquíolos. A histamina e a substância de reação lenta da anafilaxia (leucotrienos) causam constrição bronquiolar.
Todas as vias respiratórias, desde o nariz até os bronquíolos terminais, são mantidas umedecidas por uma camada de muco que reveste a superfície inteira. Este muco é secretado pelas células caliciformes do epitélio pseudoestratificado cilíndrico ciliado que caracteriza as vias respiratórias. O muco é removido das vias aéreas através da movimentação dos cílios, sendo levado até a faringe de onde é deglutido ou expelido.
No reflexo da tosse, a laringe e a carina são especialmente sensíveis. Impulsos aferentes passam das vias respiratórias para o bulbo, principalmente pelos nervos vagos. Em seguida, uma seqüência de eventos causada pelos circuitos neuronais do bulbo fazem com que grande quantidade de ar seja inspirada e a epiglote se fecha para aprisionar o ar nos pulmões.
Os músculos abdominais e o diafragma se contraem vigorosamente, a pressão nos pulmões aumenta e as cordas vocais e a epiglote se abrem subitamente de tal forma que o ar sob pressão nos pulmões explode para o exterior. No nariz o ar é aquecido e filtrado. Esta função de condicionamento do ar favorece o melhor aproveitamento durante as trocas gasosas.
A laringe também está relacionada com a fala estando adaptada para agir como um vibrador. Os elementos vibratórios são as pregas vocais, comumente chamadas de cordas vocais. A quantidade de sangue que circula pelos pulmões é essencialmente igual àquela da circulação sistêmica. A artéria pulmonar estende-se por apenas 5 cm além do ápice do ventrículo direito e em seguida se divide em dois ramos principais, um direito e um esquerdo, que suprem os dois pulmões respectivamente. Durante a sístole, a pressão na artéria pulmonar é essencialmente igual à pressão do ventrículo
direito.

Após o fechamento da válvula pulmonar, no final da sístole, a pressão ventricular cai bruscamente, enquanto a pressão da artéria pulmonar cai lentamente, à medida que o sangue flui através dos capilares pulmonares. O fluxo sanguíneo através dos pulmões é essencialmente igual ao débito cardíaco. Quando a concentração de oxigênio nos alvéolos diminui abaixo do normal, os vasos sanguíneos adjacentes entram lentamente em constrição. Isto é oposto ao efeito normalmente observado nos vasos sistêmicos, que se dilatam ao invés de entrar em constrição devido ao oxigênio baixo.
Esse efeito dos níveis baixos de oxigênio na resistência vascular pulmonar tem uma função importante: distribuir o fluxo sanguíneo para onde ele é mais útil. Quando o lado esquerdo do coração falha no bombeamento adequado do sangue, este começa a ficar represado no átrio esquerdo. Como resultado, a pressão neste local pode, às vezes, se elevar além do seu valor normal. Quando a pressão atrial esquerda atinge níveis muito elevados, ocorre aumento na pressão arterial pulmonar com aumento concomitante da carga no coração direito.
O edema pulmonar ocorre da mesma maneira que em outras regiões do organismo. Qualquer fator que provoque o aumento da pressão do líquido intersticial pulmonar, de um valor negativo para um valor positivo, causará súbita adição de grande quantidade de líquido livre nos espaços intersticiais pulmonares e alvéolos. As causas mais comuns de edema pulmonar são a insuficiência cardíaca esquerda ou doença da válvula mitral com conseqüente aumento da pressão capilar pulmonar e transudação de líquido para os espaços intersticiais e alvéolos.
O edema pulmonar também pode ser provocado por lesão da membrana dos capilares pulmonares provocadas por infecções, como pneumonia e inalação de substâncias tóxicas como os gases cloro ou dióxido de enxofre. O edema pulmonar agudo pode levar à morte em menos de meia hora.
2 – Transporte de Gases Entre os Alvéolos e as Células
Após a ventilação dos alvéolos ocorre a difusão de oxigênio dos alvéolos para o sangue pulmonar e a difusão do dióxido de carbono na direção oposta. A difusão ocorre devido ao movimento cinético das moléculas dos gases. A velocidade de difusão de cada um dos gases participantes da respiração é diretamente proporcional à pressão causada por este gás, chamada de pressão parcial do gás.
Cada gás contribui para a pressão total em proporção direta à sua concentração. Os gases dissolvidos na água e nos tecidos do corpo também exercem pressão, porque as moléculas dissolvidas estão em movimento aleatório e têm energia cinética. Quando o ar penetra nas vias respiratórias, a água das superfícies dessas vias imediatamente se evapora e umedece o ar. Isto é resultado do fato de que as moléculas de água, como as diferentes moléculas de gases dissolvidos, estão continuamente escapando da superfície de água para a fase gasosa.
A pressão que as moléculas de água exercem para escapar através da superfície é chamada de pressão de vapor da água. A difusão efetiva de um gás de área de alta pressão para área de baixa pressão é igual ao número de moléculas que se movimentam nesta direção menos o número que se movimenta na direção oposta, e isto, por sua vez, é proporcional à diferença entre a pressão de gás das duas áreas, chamada de diferença de pressão de difusão.
Todos os gases que têm importância respiratória são altamente solúveis em lipídios e, conseqüentemente, altamente solúveis nas membranas celulares. O ar alveolar não tem a mesma concentração de gases que o ar atmosférico, devido ao fato de que a cada ciclo respiratório o ar alveolar é parcialmente renovado pelo ar atmosférico, o oxigênio está constantemente sendo absorvido do ar alveolar e o dióxido de carbono se difundindo do sangue pulmonar para os alvéolos.
À medida que entra nas vias respiratórias, o ar é exposto aos líquidos que revestem as superfícies respiratórias e é totalmente umidificado antes de entrar nos alvéolos. Somente 350 ml de ar fresco são trazidos para os alvéolos em cada inspiração normal e a mesma quantidade é eliminada a cada expiração, de modo que muitas inspirações são necessárias para substituir a maior parte do ar alveolar. Esta substituição lenta do ar alveolar é importante para impedir mudanças bruscas nas concentrações gasosas do sangue.
O oxigênio está constantemente sendo absorvido pelo sangue dos pulmões, e oxigênio novo, da atmosfera, está continuamente sendo inspirado pelos alvéolos. Quanto mais rapidamente o oxigênio é absorvido, mais baixa será sua concentração nos alvéolos; por outro lado, quanto mais rápido o oxigênio novo é inspirado pelos alvéolos, mais alta será sua concentração. O dióxido de carbono é continuamente formado no organismo, em seguida descarregado nos alvéolos e removido pela ventilação.
As concentrações e pressões de oxigênio e de dióxido de carbono nos alvéolos são determinadas pelas velocidades de absorção ou de excreção dos dois gases e também pelo nível de ventilação alveolar. A unidade respiratória é formada por um bronquíolo respiratório, ductos alveolares, átrios e alvéolos. As paredes destas estruturas possuem uma extensa rede de capilares interconectados, conhecida como membrana respiratória.
A partir de estudos histológicos estima-se que a superfície total da membrana respiratória tenha área de aproximadamente 50 a 100 metros quadrados no adulto normal. Os principais fatores que a velocidade da difusão gasosa através da membrana respiratória são a espessura da membrana, a área superficial da membrana, a velocidade de difusão do gás e a diferença de pressão entre os dois lados da membrana.
Quando o sangue arterial alcança os tecidos periféricos, sua pressão parcial de oxigênio é maior do que a pressão parcial de oxigênio no líquido intersticial. Essa enorme diferença de pressão causa a difusão muito rápida do oxigênio do sangue para os tecidos. Quando o oxigênio é utilizado pelas células, a maior parte dele é transformada em dióxido de carbono e este aumenta a sua pressão parcial intracelular.
Em seguida, o dióxido de carbono se difunde das células para os capilares teciduais e depois é levado pelo sangue para os pulmões, onde se difunde dos capilares pulmonares para os alvéolos. Normalmente, cerca de 97% do oxigênio transportado dos pulmões para os tecidos é carregado em combinação química com a hemoglobina nas hemácias, e os 3% restantes são transportados dissolvidos na água do plasma e das células.
Assim, em condições normais, o oxigênio é transportado para os tecidos quase totalmente pela hemoglobina. Quando a pressão parcial de oxigênio está alta, como nos capilares pulmonares, o oxigênio de liga com a hemoglobina, mas quando a pressão parcial de oxigênio está baixa, como nos capilares teciduais, o oxigênio é liberado da hemoglobina. Esta é a base para quase todo o transporte de oxigênio dos pulmões para os tecidos.
Sob condições normais, a velocidade de utilização de oxigênio pelas células é controlada, em última análise, pela velocidade de consumo energético dentro das células, isto é, pela velocidade com que o ADP é produzido a partir do ATP. O monóxido de carbono se combina com a hemoglobina no mesmo ponto onde o oxigênio se associa e, por conseguinte, pode deslocar o oxigênio da hemoglobina.
Além disso, ele se liga à hemoglobina com 250 vezes mais firmeza que o oxigênio. Um paciente gravemente envenenado com monóxido de carbono pode ser adequadamente tratado administrando-se oxigênio puro, pois o oxigênio em altas pressões alveolares desloca o monóxido de carbono mais rapidamente do que o oxigênio sob baixa pressão atmosférica.
O dióxido de carbono pode ser transportado sob a forma dissolvida (7%), combinando-se com a água no interior das hemácias para formar ácido carbônico e, em seguida os íons hidrogênio e bicarbonato catalizado pela anidrase carbônica (70%) e combinado com a hemoglobina e proteínas plasmáticas
(15 a 25%). O ácido carbônico formado quando o dióxido de carbono entra no sangue dos tecidos diminui o pH sanguíneo.
Contudo, a reação deste ácido com os tampões do sangue impede que a concentração de íons hidrogênio aumente muito (e que o pH desça muito). Normalmente, o sangue arterial tem um pH de aproximadamente 7,41 e, à medida que o sangue adquire dióxido de carbono nos capilares teciduais, o pH desce para um valor de aproximadamente 7,37. Ocorre o reverso quando o dióxido de carbono é liberado do sangue para os pulmões, com o pH se elevando para o valor arterial.
3 – Regulação da Respiração
O centro respiratório é composto de vários grupos de neurônios localizados bilateralmente no bulbo e na ponte. É dividido em três grandes grupos de neurônios: (1) um grupo dorsal respiratório, localizado na região dorsal do bulbo, responsável principalmente pela inspiração, (2) um grupo ventral respiratório, localizado na região ventrolateral do bulbo, responsável tanto pela expiração quanto pela inspiração, dependendo dos neurônios que são estimulados e (3) o centro pneumotáxico, localizado dorsalmente na região superior da ponte, e que ajuda a controlar tanto a freqüência quanto o padrão da respiração.
O grupo dorsal respiratório de neurônios desempenha um papel fundamental no controle da respiração. Ele se estende ao longo da maior parte do comprimento do bulbo. Todos ou quase todos os seus neurônios estão localizados no núcleo do tracto solitário, embora neurônios adicionais da substância reticular adjacente ao bulbo provavelmente também desempenhem papéis importantes no controle respiratório.
O núcleo do tracto solitário também é uma terminação sensorial dos nervos vago e glossofaríngeo, que transmitem sinais sensoriais dos quimioceptores, dos baroceptores e de vários tipos diferentes de receptores pulmonares para o centro respiratório. O ritmo básico da respiração é gerado principalmente no grupo dorsal respiratório de neurônios. Mesmo quando todas as terminações nervosas periféricas que entram no bulbo são seccionadas e o tronco encefálico também é seccionado acima e abaixo do bulbo, este grupo de neurônios ainda emite, repetitivamente, potenciais de ação inspiratórios.
A causa básica dessas descargas repetitivas, porém, ainda é desconhecida. O sinal inspiratório ocorre “em rampa”, iniciando-se muito fraco e aumentando progressivamente por cerca de dois segundos. Em seguida, cessa abruptamente por cerca de três segundos e permite a retração elástica da caixa torácica e dos pulmões causando a expiração. O centro pneumotáxico limita a duração da inspiração e aumenta a freqüência respiratória.
O grupo ventral de neurônios permanece quase totalmente inativo durante a respiração normal em repouso. Quando há necessidade de altos níveis de ventilação pulmonar, essa área opera mais ou menos como um mecanismo multiplicador. Dessa forma, o grupo ventral é essencialmente importante na respiração forçada. Os receptores de estiramento localizados nas paredes dos brônquios e bronquíolos, que transmitem os sinais através dos nervos vagos para o grupo respiratório dorsal quando os pulmões ficam muito distendidos ativam uma resposta de feedback adequada que desliga a rampa inspiratória através do chamado reflexo de insuflação de Hering-Breuer.
O último objetivo da respiração é manter as concentrações adequadas de oxigênio, dióxido de carbono e íons hidrogênio nos tecidos. Portanto, é importante que a atividade respiratória seja altamente responsiva às variações de cada um desses elementos. O excesso de dióxido de carbono ou de íons hidrogênio causa aumento na intensidade dos sinais inspiratórios e expiratórios para os músculos da respiração. O oxigênio atua quase totalmente nos quimioceptores periféricos localizados nos corpos carotídeos e aórticos, e estes transmitem sinais adequados para o centro respiratório através do nervo de Hering.
A área quimiossensitiva do centro respiratório é muito sensível às mudanças da pressão parcial de dióxido de carbono na circulação ou à concentração de íons hidrogênio. Os neurônios da área sensitiva são principalmente sensíveis aos íons hidrogênio. Entretanto, este íon tem dificuldade em atravessar as barreiras hemoencefálica e hemoliquórica, ao contrário do dióxido de carbono. Embora o dióxido de carbono tenha pouco efeito direto na estimulação dos neurônios da área quimiossensitiva, ele exerce um potente efeito indireto. Este efeito é resultado da reação do dióxido de carbono com a água dos tecidos para formar ácido carbônico.
Este, por sua vez, se dissocia em íons hidrogênio e íons bicarbonato; os íons hidrogênio têm potente efeito estimulador direto. Quando uma pessoa respira ar com muito pouco oxigênio, isto, obviamente, diminui a pressão parcial de oxigênio sanguínea e excita os quimioceptores carotídeos e aórticos, desse modo aumentando a respiração. Entretanto, esse efeito é muito menor do que se espera, porque o aumento da respiração remove o dióxido de carbono dos pulmões e conseqüentemente diminui a pressão parcial de dióxido de carbono e a concentração de íons hidrogênio do sangue
                                   HISTOLOGIA HUMANA

Tecido Muscular

A principal característica do tecido muscular é a contratilidade. Por causa dela, esse tecido é capaz de fornecer a habilidade de locomoção aos seres vivos. Em relação à origem, o tecido muscular tem origem embriológica do mesoderma, isto é, suas células são diferenciadas das células mesenquimais que formam os mioblastos.
Na fase embrionária, as células musculares estriadas esqueléticas são formadas pela fusão de mioblastos. Isso produz um miotubo que amadurece e se transforma em uma célula muscular longa. Uma célula muscular estriada esquelética pode chegar a ter vários centímetros.
Tipos de Tecido Muscular
Há três tipos de tecido muscular: tecido muscular estriado esquelético, tecido muscular estriado cardíaco e tecido muscular liso. O tecido muscular estriado esquelético tem ação voluntária, enquanto os outros dois é involuntária. A importância do músculo liso é para dar contratilidade intestinal, na bexiga, vasos sanguíneos, entre outros órgãos. O tecido muscular cardíaco é encontrado na parede do coração e é importante por fazer parte do bombeamento do sangue pelo corpo.
Há uma quantidade muito grande de mitocôndrias no tecido muscular, isso porque as células desse tecido gastam muita energia.
Tecido Muscular Estriado
A funcionalidade contrátil da célula muscular é dada pelos miofilamentos. Eles são encontrados em outros tipos de células, mas nas células musculares eles compõem estruturas importantes para a função de contração, diferente das outras células.
Há dois tipos de miofilamento: o de actina e o de miosina.Os filamentos finos são o de actina. A actina é formada por duas cadeias de monômeros, como se fossem dois colares de pérolas que fica enrolado um no outro. Associada a ela, tem a troponina e a tropomiosina. A tropomiosina é uma molécula longa e fina que vai estar entrelaçando o filamento fino. A troponina é uma proteína formada por três unidades: T, C e I. A T se liga a tropomiosina, a C ao cálcio (apenas encontrada nos tecidos musculares estriados) e a I inibe a ligação da miosina à actina.
Filamento Fino: Actina
Filamento Fino: Actina
O outro tipo é o filamento espesso, que são filamentos de miosina. Ela (miosina) tem formato de um taco de golfe com duas cabeças. Ela consiste em duas cadeias pesadas idênticas, e dois pares de cadeias leves. Cada cadeia pesada forma uma cabeça globular nas extremidades (daí parecer com um taco de golfe. Quando essas miosinas se associam uma a outra, formam o filamento espesso, o qual se associa à actina para favorecer a contratilidade muscular. A cabeça globular possui três regiões distintas: uma região de ligação à actina, uma região de ligação ao ATP e uma região de ligação a uma cadeia leve.
Filamentos Espesso e Fino
Interação do Filamento Fino com o Espesso
A sarcolema (membrana plasmática) no tecido muscular esquelético é circundada por lâmina basal e pelas células satélites (logo mais discutidas).
Células Satélites
Células Satélites
Da sarcolema são emitidas longas invaginações [digitiformes] que são os túbulos transversais, ou chamados também de túbulos T. Eles se projetam para o interior da célula (chamado de sarcoplasma). Esses túbulos T fazem contato com os canais membranosos do retículo sarcoplasmático, que concentra uma grande quantidade de íons cálcio. O local de contato é o que chamam de tríade (tríade = 2 sacos do retículo sarcoplasmático + túbulo T).
As mitocôndrias (sarcossomas) podem estar paralelas ao longo do eixo das miofibrilas ou podem envolver zona de filamentos espessos (formados por miosina).
Conceitos
  • a fibra muscular nada mais é do que a célula muscular (que é uma célula multinucleada!);
  • as miofibrilas são importantes para contração;
  • união de várias fibras musculares forma um feixe muscular;
  • cada fibra muscular é envolta por um tecido conjuntivo chamado de endomísio, por onde os capilares penetram (esses capilares devem ser flexíveis, para conseguirem aguentar a contração e o relaxamento do tecido);
  • envolvendo um conjunto de fibras musculares tem o perimísio, que é um tecido conjuntivo mais frouxo;
  • envolvendo vários feixes têm o epimísio, que é um tecido conjuntivo denso e rico em fibras colágenas (envolve todo o músculo!);
Epimísio, Perimísio e Endomísio
Epimísio, Perimísio e Endomísio
  • a fixação do tendão ao osso é feita por meio das fibras de Sharpey ao periósteo;
  • fascículo: são várias fibras musculares;
  • músculo: vários fascículos;
  • miofibrila: cadeia de sarcômeros;
  • sarcolema: membrana plasmática da célula muscular;
Tecido Muscular Estriado Esquelético
O músculo estriado esquelético tem células bem longas e o núcleo deslocado para a periferia da célula. Os pontinhos que são possíveis de serem vistos na microscopia são as miofibrilas:
  • três tipos de fibras: vermelha, branca ou intermediária;
  • fibra vermelha: unidade motora de contração lenta. Possui muiiiita mitocôndria e são resistentes à fadiga, por isso são apropriadas para a atividade muscular prolongada;
  • fibra branca: unidade motora de contração rápida. São grandes e possuem menos mitocôndrias. Elas contraem – se rapidamente e, em geral, são responsáveis pelos movimentos;
  • fibra intermediária: características tanto da fibra vermelha, quanto da branca;
  • possui estriações transversais;
  • é localizado em todo o corpo e está associado aos ossos;
  • as estriações é dada pelos sarcômeros (miofilamentos dispostos em sarcômeros);
  • existe variações de tamanho de diâmetro entre as fibras, tanto que existem músculos mais hipertrofiado do que outros;
  • hipertrofia é dada pelo número e tamanho das fibras;
Tecido Muscular Estriado Cardíaco
O músculo estriado cardíaco não tem o núcleo deslocado para periferia, e ele é esférico e central. Esse tecido apresenta estriações, obviamente pelo nome né, e as células não tem tantos núcleos quanto o esquelético. Além disso, ele apresenta estruturas específicas que são os discos intercalares. Geralmente, vendo no microscópio, é mais fácil diferenciar ele do esquelético observando os núcleos tanto pela quantidade, quanto pela posição, ou pela presença do disco intercalar.
As fibras musculares cardíacas são menores do que as esqueléticas e possuem de 1 a 2 núcleos. Elas são revestidas por uma bainha de conjuntivo e são anastomosicamente interligadas pelos discos intercalares. Esse discos constituem – se em uma região de acúmulo de proteínas de adesão (com desmossomos) e junções comunicantes, que auxiliam na troca de informação, como junções comunicantes, para uma contração sincronizada das células.
Esse tecido ainda possui túbulos T e retículos sarcoplasmácitos desenvolvidos em suas células, mas não são tão extensos. No entanto, ao invés de tríades, ele possui os díades, que são expansões do retículo sarcoplasmático (díades = túbulo T + uma cisterna do retículo sarcomplasmático. As mitocôndrias são mais abundantes nas fibras musculares estriadas cardíacas, e contêm numerosas cristas! Outra característica desse tecido são as células de Purkinje, que são células musculares modificadas que possuem muito glicogênio no citoplasma, e são importantes na propagação do impulso nervoso.
Tecido Muscular Liso
O músculo liso tem células fusiformes e não apresentam estriações (já que não tem sarcômeros!). Suas células se assemelham funcionalmente muito a um fibroblasto, tanto que alguns autores as chamam de miofibroblasto. Elas são revestidas por lâmina basal e mantidas por fibras reticulares. Essas células do músculo liso não exibem a mesma organização do músculo estriado e apresentam feixes de miofilamentos que se cruzam em todas as direções. Estes miofilamentos são de actina e tropomiosina, e de miosina. Apresenta também os filamentos intermediários de desmina e vimentina.
  • é encontrado nas túnicas musculares das artérias, músculo eretor da pele, túnica muscular de órgãos tubulares (como do sistema digestório, genito – urinário, respiratório, etc);
  • células possuem núcleo central;
  • contração lenta e involuntária;
  • não ocorre fusão de mioblastos no músculo liso;
  • sem estriações, sem sistema T;
  • o retículo sarcoplasmático é extremamente reduzido;
  • as células desse tecido podem sintetizar colágeno tipo III, fibras elásticas e proteoglicanos (daí faz lógica elas serem confundidas com os fibroblastos);
  • inervação: não exibem placas motoras, tem fibras do sistema nervoso simpático e parassimpático;
  • a miosina do músculo liso não tem aparência de taco de golfe, ela é uma miosina diferente. A interação da miosina com o feixe de actina é diferente, pois é feita com o auxílio dos corpos densos. Esses feixem agem como se estivessem costurando a célula.
  • as células musculares lisas da parede de grandes vasos sanguíneos produzem elastina (com a velhice, essa elastina passa a ser substituída por colágeno);
Contratilidade Muscular
Os tecidos musculares esqueléticos possuem sarcômeros, o liso não. Esses sarcômeros que dão o aspecto de estriação do tecido. Ele fica dentro de duas estruturas chamadas de disco Z.
Contração Músculo Estriado
A contração é feita pela interação da miosina com a actina. O sítio de ligação entre a miosina e a actina fica coberto pelo complexo tropomiosina – troponina. Quando ocorre o estímulo nervoso, há liberação de íons cálcio pelo retículo sarcoplasmático. Esses íons, então, se ligam à troponina e modifica a sua conformação. Isso faz com que ocorra o deslocamento da cabeça da miosina, que agora pode se associar à actina, que antes estava coberta pelo complexo tropomiosina – troponina. A ligação da miosina com a actina gasta ATP, porque muda a conformação da proteína que vai fazer com que ocorra o deslizamento dos filamentos de actina sobre os filamentos de miosina. O cálcio é liberado pelo estímulo nervoso, que chega ao retículo por meio de sinais conduzidos pelos túbulos T (ocorre uma despolarização de membranas e aí o sinal é conduzido pela região das tríades (túbulos T)).
Em relação ao estímulo nervoso, é importante explicar que o sinal de excitação para a contração é gerado pela acetilcolina (transmissor químico liberado por uma terminação nervosa em resposta a um potencial de ação). A acetilcolina difunde – se para o interior de um estreito espaço, denominado junção neuromuscular (entre a fibra muscular e a terminação nervosa). O potencial de ação propaga – se do sarcolema até os túbulos T, os quais transportam o sinal de excitação até o interior da célula muscular. Os íons cálcio são liberados no interior do citossol para ativar a contração muscular, quando o potencial de ação atingir o túbulo T. (Kierszenbaum)
OBS: Estrutura dos Sarcômeros
Unidade Contrátil: Sarcômero
Unidade Contrátil: Sarcômero
Quando há contração, a banda I praticamente some, porque a miosina diminui e aproxima a banda Z da outra banda Z (banda = linha, na foto), sobrepondo um filamento sobre o outro.No entanto, não há alteração do comprimento dos filamentos espessos e delgados, isto é, o comprimento da banda A e a distância ente o disco Z e a banda H adjacente permanece constante. Por outro lado, o comprimento do sarcômero diminui, porque os filamentos espessos e delgados (de miosina e actina) deslizam uns sobre os outros, ou seja, o tamanho das bandas H e I diminuem, como foi dito. A força de contração é gerada pelo processo que move um tipo de filamento sobre os filamentos adjacentes do outro tipo = deslizamento da actina sobre a miosina.
Na banda I só há actina. A miosina puxa a actina para cima e as bandas desaparecem e fica só a banda A. Essa linha M (faixa M) é uma região de intersecção entre as miosinas. Na banda H é onde tem a enzima creatina – quinase, que catalisa a formação de ATP no tecido muscular.
O fosfato de creatina é um mecanismo de reserva cuja função é manter os níveis de ATP constantes durante a contração muscular. Quando a concentração de ATP diminui, a hidrólife do fosfato de creatina constitui – se na fonte de energia de reserva. A creatina – quinase catalisa uma reação reversível que produz creatina e ATP a partir da hidrólise do fosfato de creatina. O fosfato de creatina recém – sintetizado provém das mitocôndrias e transporta grupos fosfatos entre as mitocôndrias e a miofibrila. (Kierszenbaum)
Tecido Muscular Esquelético
Tecido Muscular Esquelético
Na foto a cima, temos: as estriações bem fininhas é a actina, que forma a banda I. De uma banda I pra outra, tem a banda A, que é uma região mais espessa, dividida pela metade pela região de banda H, em que se vê somente o filamento de miosina.
Contração Músculo Liso
Invaginações da membrana plasmática (chamadas de cavéolas) atuam como um sistema de túbulos T primitivos, que transmite os sinais de despolarização ao retículo sarcoplasmático pouco desenvolvido. Essas células unem – se umas às outras por meio de junções comunicantes. Essas junções permitem a contração sincrônica do tecido muscular liso. Cada célula é envolvida por uma lâmina basal que atua transmitindo as forças produzidas por cada célula. (Kierszenbaum).
Durante a contração do músculo liso, ocorre o deslizamento da actina e da miosina, como no esquelético: os filamentos de actina e miosina associada fixam – se aos corpos densos do citoplasma, e são os equivalentes aos discos Z nos tecidos musculares estriados. (Kierszenbaum) Mas, essa contração faz com que haja um encolhimento da célula, isto é, ela enche e distende. Os miofilamentos, então, tem que ser extramente ancorados na membrana plasmática das células, senão essa contração não daria certo! Tudo isso é como se fosse uma rede de pesca, sendo que essa rede é constituída de filamentos.
A miosina do tecido muscular liso é diferente da do esquelético também (é a miosina do tipo II). Ela só vai interagir com a actina se ela estiver fosforilada. Para isso, ao invés de ter a tropomina, tem a camodulina. Quando ela se liga ao fósforo, faz com que a miosina seja fosforilada.
O complexo ativo de cálcio e calmodulina ativo faz ativar a cinase de cadeia leve da miosina que fosforila a cabeça da miosina, mudando sua conformação. Isso permite que haja deslizamento dos filamentos e contração muscular. Ah, esqueci de falar: os íons cálcio chegam do lado de fora da célula! Diferente do outro tecido muscular que eles ficam no retículo sarcoplasmático. Outra diferença entre a contração de um tecido e outro, é que as células musculares lisas não contêm troponina! Possuem a tropomiosina, e é ela que se liga aos filamentos de actina e os estabiliza. Já que não tem a troponina, uma outra molécula, a quinase, é que sensibiliza o cálcio das fibras musculares lisas.
O tecido muscular liso pode ser estimulado a contrair – se por meio de: estimulação nervosa, hormonal ou estiramento. Em resposta a um estímulo apropriado, ocorre um aumento de cálcio citoplasmático.
Regeneração do Tecido Muscular
O músculo liso tem uma resposta regenerativa mais eficiente do que o músculo esquelético, porque a célula do músculo liso é menos diferenciada do que a dos estriados.
O tecido muscular cardíaco, no entanto, não apresenta as chamadas células satélites, então a regeneração não acontece, por isso que os infartos levam à lesões irreversíveis. Na área em que houve lesão, ocorre a fibrose do músculo cardíaco, pois ele é substituído por tecido conjuntivo no lugar. Essa região em que foi substituída por tecido conjuntivo perde o contato com as outras células do tecido, dai a contratilidade da região fica deficiente.
Além das células satélites, há uma população de células – tronco do músculo esquelético adulto, que são as células da população lateral. Elas têm a capacidade de diferenciar – se em todas as principais linhagens de células do sangue, bem como em células satélites miogênicas. Essas células da população lateral estão presentes na medula óssea e podem dar origem a células miogênicas capazes de participar da regeneração muscular.
As células satélites, encontradas nos tecidos musculares que se regeneram, dão origem aos mioblastos quando ocorre a lesão do tecido. Elas ficam em repouso e são como se fossem “células tronco” do tecido muscular. Essa diferenciação em mioblastos ocorre quando as células satélites se fusionam e formam o mioblasto (célula multinucleada).
Referências
KIERSZENBAUM, A; (2008). p. 199 a 222. Histologia e Biologia Celular - Uma introdução à patologia. 2ed.
 

Tecido Ósseo e Osteogênese

Tecido Ósseo

O tecido ósseo é aquele que constitui os ossos (oh, really?), sendo um dos tipos de tecido conjuntivos, mas esse é rígido e inflexível. A sua principal característica é que sua matriz é calcificada, por isso uma das funções desse tecido é comportar – se como um reservatório de cálcio e fosfato. Ele é altamente vascularizado, e isso é imprescindível para sua manutenção, já que as suas células estão em constante atividade. As principais funções do tecido ósseo é dar sustentação ao corpo, proteger órgãos (como faz a caixa craniana, a caixa torácica, etc).
Visão Macroscópica e Microscópica do Tecido Ósseo
Visão Macroscópica
Macroscopicamente, identificamos dois tipos de tecidos ósseos:
  • Tecido Ósseo Esponjoso (ou chamado também de trabecular): é formado por trabéculas ósseas ou também, pode – se dizer, por uma trama de espículas, as quais delimitam o espaço ocupado pela medula óssea. É encontrado na superfície dos ossos longos (epífise).
  • Tecido Ósseo Compacto: é formado por lamelas concêntricas e encontra – se mais na diáfise dos ossos longos. Esse tecido contém o canal medular, onde são produzidas as células do sangue. O tecido ósseo compacto termina sempre em um tecido ósseo esponjoso.
Osso Longo
Osso Longo: Observar o que é diáfise, epífise e metáfise e onde ficam os tipos de tecido ósseo no osso longo, assim como a localização da medula óssea.
O crescimento do osso em comprimento é dado pelo disco epifisário que existe entre a diáfise e a epífise. Esse disco é formado por tecido cartilaginoso que representa uma zona de crescimento durante a ossificação endocondral.
Disco Epifisário: Ossificação Endocondral
Disco Epifisário: Ossificação Endocondral
Visão Microscópica
Para ser visualizado pela microscopia, o tecido ósseo deve ser desgastado, isto é, ele não é trabalhado como as outras lâminas, porque todo o tratamento dado descalcificaria a matriz extracelular. O processo de preparação do tecido é feito desgastando o osso (como se o lixasse), até ficar fininho e possível de ser observado no microscópio. Por causa do desgaste, perde – se o que é orgânico e fica só o inorgânico.
Microscopicamente, o tecido ósseo pode ser classificado em:
  • Tecido ósseo lamelar (ou secundário): há várias camadas concêntricas distribuídas em torno de um canal, chamado canal de Harvers, formando o sistema de Harvers ou ósteons. Essas camadas contém os osteócitos, e em volta a linha cimentante. Externamente, em contato com a região de fora do osso, há as lamelas circunferenciais externas. E as lamelas entre os canais de Harvers é a lamela intersticial. Há também os canais de Volmann, que são transversais, mas diferentes dos canais de Harvers eles não são circundados por lamelas concêntricas (ver figura em baixo). Como internamente o osso é revestido pelo chamado endosteo, e externamente pelo periósteo, as lamelas circunferenciais externas ficam em contato com o periósteo, e as internas com o endósteo. O periósteo é formado por duas camadas: a camada mais externa que é abundante em fibras de colágeno e vasos sanguíneos, os quais penetram no canal de Volkmann, e a camada interna que possui as células osteoprogenitoras (osteoblastos). É ainda no periósteo que ficam as fibras de Sharpey, as quais fixam o periósteo ao ossos e são formadas por colágeno. Já o endósteo é formado por fibras reticulares. Ambos (endósteo e periósteo) são possíveis de serem vistos por descalcificação. A parte branca nesses tipos de lâmina é a medula óssea, e cobrindo externamente o osso fica o periósteo (camada externa do periósteo é colágeno e interna é osteoblasto). Bem colado ao osso tem o endósteo. Há lamelas grandes e também pequenas, elas estão sempre em desenvolvimento, já que o tecido ósseo não é estático. Como esse tecido é muito vascularizado, o vaso sanguíneo penetra no periósteo e passa por canais perpendiculares aos ósteons. Os “buracos pretos” vistos nas lâminas de tecido ósseo secundário são onde ficam os osteócitos (células maduras do osso), cada um deles ocupa uma lacuna com canalículos que penetram nas lamelas das lacunas adjacentes. Além disso, é possível observar várias lamelas concêntricas em torno do canal de Harvers.
Tecido Ósseo Lamelar
Tecido Ósseo Lamelar
→ Ósteons (sistema de Harvers/haversianos): são formados por lamelas que se dispõe concentricamente ao redor de um canal vascular longitudinal (vascular = tem um vaso sanguíneo que passa pelo canal e serve para nutrir as células do tecido ósseo, os nutrientes são transportados através de uma cadeia de prolongamentos celulares);
→ Lamelas Intersticiais: observadas por entre os ósteos e separadas dos mesmos por uma fina camada denominada linha cimentante;
→ Lamelas Circunferenciais internas: são encontradas na superfície interna, subjacente ao endósteo;
Os canais vasculares podem ter duas orientações em relação à estrutura lamelar:
→ Capital longitudinal que segue para o centro do ósteon dentro de um espaço denominado canal de Havers
→ Os canais de Havers estão conectados entre si por intermédio de canais oblíquos chamados de canais de Volkmann, os quais contêm vasos sanguíneos originados da medula óssea e do periósteo.
Esta imagem mostra todas as estruturas faladas:
Tecido Ósseo Compacto
Tecido Ósseo Compacto e Esponjoso
  • Tecido ósseo não – lamelar (ou entrelaçado, ou primário): ainda é um tecido ósseo em desenvolvimento.
Matriz Óssea
A matriz ossa é composta por 35% de componentes orgânicos e os outros 65% de inorgânico. A parte orgânica da matriz é composta por colágeno do tipo I (predominantemente), proteoglicanos, proteínas não colagenosas (por exemplo a osteocalcina que inibe a função osteoblástica, e a osteonectina que remodela o osso e também está ligada à morfogênese), além de vitamina D e outros compostos. A parte inorgânica da matriz é composta por depósitos de fosfato de cálcio na forma de hidroxiapatita. A matriz óssea é diferente do tecido conjuntivo denso modelado, embora parecidos, porque o osso não é homogêneo que nem o conjuntivo. A chamada matriz osteóide é a matriz recém – sintetizada que ainda não está mineralizada. Os minerais são gradualmente depositado na forma de faixas ou lamelas. Por último, os osteoblastos (que são os que formam essa matriz) são aprisionados no interior da matriz osteóide e se tornam osteócitos quando a matriz já estiver calcificada.
Células do Tecido Ósseo
Osteoprogenitoras
As células osteoprogenitoras têm origem pela diferenciação das células mesenquimais. Elas ficam localizadas no periósteo e no endósteo e permanecem como células de revestimento até que são, por algum motivo, ativadas. Isso ocorre quando ocorre algum tipo de lesão ou fratura do tecido ósseo. Quando isso ocorre, elas são estimuladas a se diferenciarem em osteoblastos.
Osteoblastos
Os osteoblastos têm formato cúbico ou cilíndrico, e tem aparência de tecido epitelial, além de serem células altamente polarizadas, que depositam o osteóide ao longo da interface osteoblasto – osso, controlando e iniciando a mineralização do osteoide. A principal função deles é produzir matriz orgânica (a chamada matriz osteóide, já discutida). Para isso, eles contam com a atuação de uma proteína de membrana que atua na mineralização da matriz por meio de depósito de hidroxiapatita chamada de fosfatase alcalina. A mineralização é o processo pelo qual a matriz extracelular passa e fica que a deixa impregnada com sais de cálcio e fosfato. Os osteoblastos ativam os osteoclastos e quando a formação óssea termina, os osteoblastos se diferenciam em osteócitos se achatando, quando a formação óssea termina.
Osteócitos
Os osteócitos possuem estruturas chamadas de canalículos, que são junções celulares comunicantes (são células altamente ramificadas). É por essas junções que os nutrientes são transferidos de célula a célula. Eles são imprescindíveis, já que a matriz é calcificada e não tem como ocorrer difusão pela matriz. Os pontinhos pretos nas lâminas são as lacunas onde os osteócitos ficam.
Osteoclastos
Os osteoclastos têm origem diferente dos osteoblastos, osteócitos e das células osteoprogenitoras, isto é, não são derivados das células mesenquimais! Eles são provenientes da combinação dos monócitos do sangue, e sua função no tecido ósseo é de “limpar” o osso.
Ao atingirem o tecido ósseo, os monócitos se fundem em forma de células multinucleadas, e ocupam uma lacuna chamada de Howship. A função de limpeza do osteoclasto é possível, pois no seu interior há várias vesículas com enzimas que atuam na reabsorção da matriz. Essas enzimas têm o poder de solubilizar a matriz, mas para isso elas dependem de um pH ácido! Para diminuir o pH, elas liberam eletrólitos juntos. Primeiramente, a fase inorgânica da matriz é digerida, e depois a fase orgânica. Essa reabsorção não ocorre no osso de forma integral, mas de ponto a ponto. Isso é possível graças a presença de proteínas de vedação, o que faz a reabsorção ocorrer lacuna por lacuna. Quem regula os osteoclastos são os osteoblastos, pelas células do estroma da medula óssea, calcitonina e vitamina D3. O domínio celular dos osteoclastos voltado para a lacuna possui extensos pragueamentos da membrana celular. Ao redor da circunferência da borda preguada, filamentos de actina se acumulam e formam a zona de vedação que sela e isola a lacuna de reabsorção óssea.

Osteogênese (Ossificação)

A osteogênese é o processo de formação óssea. Ela pode ser uma ossificação intramembranosa, quando o tecido ósseo é depositado diretamente sobre o tecido conjuntivo primitivo, ou endocondral quando o tecido ósseo substitui uma cartilagem hialina já existente.
Inicialmente, ocorre a deposição de uma rede trabecular primária ou esponjosa primária que, em seguida, é transformada em tecido ósseo maduro. Porém, existe uma diferença: na ossificação endocondral, a cartilagem é substituída por matriz óssea. (Kierszenbaum)
Ossificação Intramembranosa
A ossificação intramembranosa tem esse nome porque ocorre entre membranas. A ossificação da moleira fontanela das crianças é o maior exemplo desse tipo de ossificação. As células mesenquimais do tecido conjuntivo se transformam em osteoblastos. Eles passam então a produzir a matriz e em seguida ocorre o depósito de cálcio (processo de mineralização do tecido). Posteriormente, a matriz é remodelada e forma o tecido ósseo secundário (lamelar).
Ossificação Intramembranosa: Fontanela
Ossificação Intramembranosa: Fontanela
Etapas:
1) O mesênquima embrionário transforma – se em tecido conjuntivo, e as células desse tecido começam a se agregar.
2) Células mesenquimais começam a secretar matriz óssea. Os centros de ossificação começam a se desenvolver e se fundem, formando uma rede de trabéculas que parece uma esponja (tecido ósseo esponjoso). Esse tecido recém – formado possui fibras colágenas não orientadas, dai ser chamado de tecido ósseo primário. Mais tarde, quando ocorrer a remodelação óssea, dai as lamelas são formadas e o tecido passa a ser o tecido ósseo lamelar.
3) Ocorre deposição de fosfato de cálcio na matriz.
4) A mineralização da matriz óssea aprisiona os osteoblastos nas lacunas (os quais se diferenciam para osteócitos) e o fechamento parcial dos canais perivasculares, os quais assumem uma nova função, a de hematopoiese, pela conversão de células mesenquimais em células formadoras de sangue.
Esse tecido é depois convertido em tecido ósseo lamelar, no qual as fibras colágenas ficam organizadas em feixes paralelos. Essas lamelas dispostas de formas concêntricas e o centro delas é perfurado por um vaso sanguíneo, constitui um ósteon (ou sistema de Harvers)! O canal de Harvers é por onde o vaso sanguíneo passa.
Ossificação Endocondral
A ossificação endocondral ocorre nos ossos longos, sendo que a cartilagem hialina é o molde para esse processo de ossificação, essa cartilagem é substituída pelo tecido ósseo (na intramembranosa, as células mesenquimais já são diferenciadas direto pra células do tecido ósseo, sem passar pelo conjuntivo!).
Etapas:
1) Formação de um centro primário de ossificação: os condrócitos sofrem maturação e hipertrofia, e passam a produzir colágeno tipo X, que é um marcador para condrócitos hipertróficos. Esses condrócitos passam a secretar fatores angiogênicos que induzem a formação de vasos sanguíneos a partir do pericôndrio. Células osteoprogenitoras e hematopoiéticas chegam com os vasos sanguíneos recém – formados. Os condrócitos sofrem apoptose à medida que ocorre calcificação da matriz, e formam – se centros primários de ossificação.
2)  Os vasos sanguíneos invadem o espaço ocupado pelos condrócitos hipertróficos, ramificam – se e vão em direção de cada uma das extremidades dos centros de ossificação.
3) As células osteoprogenitoras e tronco hematopoiéticas chegam ao centro da cartilagem calcificada. Lá, as osteoprogenitoras diferenciam – se em osteoblastos que se agregam nas superfícies da cartilagem e passam a sintetizar a matriz óssea (osteóide).
O crescimento em extensão dos ossos longos depende do crescimento intersticial da cartilagem hialina que ocorre à medida que o centro da cartilagem é substituído por tecido ósseo nas zonas de ossificação equisdistantes. Após o nascimento, os centros secundários de ossificação desenvolvem – se nas epífises. Como na diáfise, o espaço ocupado pelos condrócitos hipertróficos é invadido por vasos sanguíneos e células osteoprogenitoras provenientes do pericôndrio. A maior parte da cartilagem hialina das epífises é substituída por tecido ósseo esponjoso, exceto a cartilagem articular e um delgado disco, a placa epifisária de crescimento, localizada entre as epífises e a diáfise. A placa epifisária é responsável pelo subsquente crescimento em extensão do osso. (Kierszenbaum).
Zonas de Ossificação Endocondral
O processo de erosão da cartilagem pode ser observado histologicamente pelas zonas de ossificação endocondral. Elas são quatro: zona de reserva, zona proliferativa, zona hipertrófica e zona de invasão vascular.
Zona de Ossificação Endocondral
De cima pra baixo: cartilagem da epífise, zona de reserva, zona proliferativa, zona hipertrófica e zona de invasão vascular
1) Zona de reserva: é onde fica cartilagem hialina primitiva. “Os condrócitos estão fugindo enquanto a erosão mediada pelos osteoclastos persegue os condrócitos da zona de reserva.
2) Zona proliferativa: é onde ocorre a proliferação ativa dos condrócitos. É uma área mitoticamente ativa que representa a zona de fuga da cartilagem.
3) Zona hipertrófica: é onde ocorre a apoptose dos condrócitos e também a calcificação da matriz territorial que circunda as colunas de condrócitos previamente proliferados.
4) Zona de invasão vascular: é nessa área que os vasos sanguíneos invadem e levam as células osteoprogenitoras. (Esses vasos são formados pelos fatores angiogênicos, já citados!).
Crescimento em largura da diáfise
À medida que o osso cresce em comprimento, novas camadas de tecido ósseo são adicionadas à porções externas da diáfise por crescimento aposicional. Como resultado, a espessura da diáfise aumenta. A erosão simultânea que ocorre na parede interna da diáfise leva a uma ampliação da cavidade medular. (Kierszenbaum).
Referências
KIERSZENBAUM, A; (2008). p. 131 a 164. Histologia e Biologia Celular - Uma introdução à patologia. 2ed.
 

Tecido Hematopoietico

Sangue
O sangue é um tipo de tecido conjuntivo composto por eritrócitos, leucócitos e plaquetas. Além dessas células, ele possui também o plasma que é a parte líquida, constituído por sais e compostos orgânicos (vitaminas, lipídeos, aminoácidos, etc).  O que chamam de soro, é esse plasma mas sem o fibrinogênio.
Para analisar o sangue na lâmina, diferente dos outros tecidos, deve ser feito o chamado esfregaço. Isto é, uma gota de sangue é colocada na lâmina e depois esse sangue é “puxado”, tirando o excesso. Depois ele é corado. Simples assim, não há grandes tratamentos.
Elementos Celulares
  • Eritrócitos: os eritrócitos são células anucleadas, pois durante o seu processo de formação elas perdem o núcleo. Na verdade, elas não têm nenhuma organela, apenas possuem membrana plasmática, citoesqueleto, hemoglobina e algumas enzimas glicolíticas. Isso explica porque a vida média dessas células é tão pequena (por volta de 120 dias). Elas são degradadas por fagocitose no baço ou no fígado.  Não há um consenso em dizer se os eritrócitos são células, ou não. O fato delas não terem núcleo e organelas é o motivo de muitos cientistas dizerem que ela não pode ser considerada como um elemento celular. No entanto, outros ainda dizem que ela é sim uma célula, mas altamente especializada, tanto que perdeu núcleo e organelas. Quando a hemácia fica “velha”, ela é degrada no baço e são substituídas pelos reticulócitos, daí depois de ficarem na circulação por 1 ou 2 dias, eles se amadurecem e viram novas hemácias.
eritrócitos vistos na lâmina
eritrócitos vistos na lâmina
  • Plaquetas: são importantes na coagulação sanguínea. A sua produção é estimulada pela trombopoietina, produzida no rim e no fígado. A grande quantidade de plaquetas liga e degrada a trombopoietina, que é o hormônio regulador da produção de plaquetas.  Elas são fragmentos celulares, são pedaços de citoplasmas dos megacariócitos! A função delas é de impedir, pela coagulação sanguínea, a perda de muito sangue quando ocorre um corte. A região central da plaqueta, o granulômero, contém mitocôndrias, retículo endoplasmático granular, o complexo de Golgi e grânulos. A periferia da plaqueta, o hialômero, contém microtúbulos e microfilamentos que regulam o formato e o movimento da plaqueta. (Kierszenbaum)
plaquetas e hemácias
o número 1 é as hemácias e o 2 as plaquetas, vistas em microscopia
  •  Leucócitos: os glóbulos brancos podem ser divididos em dois grupos, os agranulócitos (linfócitos e monócitos) e granulócitos (neutrófilos, basófilos e eosinófilos).  Os eosinófilos recebem esse nome, pois seus grânulos são corados com eosina.
Granulócitos
Os granulócitos podem possuir grânulos citoplasmáticos primários, ou secundários (específicos).
  • Neutrófilos: os neutrófilos são multilobulados (possuem de 3 a 5 lóbulos) podendo ter formato de bastonete ou ser segmentado, representam de 60 a 70% dos leucócitos circulantes e são os primeiros a agir na ação inflamatória. Possuem grânulos secundários (específicos) e primários Na microscopia, eles têm cor rosa – pálida ou meio acinzentada. A vida média deles é beeem curtinha, em torno de 6 a 7 horas, mas no tecido conjuntivo conseguem sobreviver até 4 dias! Eles são produzidos e ficam no sangue, em uma resposta inflamatória eles migram para o tecido conjuntivo onde vão atuar. Nessa resposta inflamatória eles limitam a infecção bacteriana e são um dos primeiros a chegar para atuar na defesa do organismo. Os granulócitos primários possuem elastase e mieloperoxidase e nos secundários têm lisossomo e proteases, tudo isso é importante para a destruição dos patógenos.
Neutrófilos: bastonete e segmentado
Neutrófilos: bastonete e segmentado
  •  Eosinófilos: possuem núcleo bilobulado (dividido em dois) e constituem apenas de 2 a 4% dos leucócitos circulantes, e essa concentração está maior apenas quando o indivíduo está com algum tipo de reação alérgica ou verminose. Assim como os neutrófilos, eles podem deixar a circulação e entrar no tecido conjuntivo, constituindo a primeira linha de defesa contra parasitas e também quando em processos alérgicos. Os grânulos desse anticorpo são corados com eosina (daí o nome eosinófilo, né?). A atuação do eosinófilo é assim: a peroxidase é liberada no exterior e se liga à membrana do microorganismo, facilitando assim a degradação pelos macrófagos. Eles possuem uma proteína catiônica que é capaz de neutralizar a heparina e junto com a proteína básica principal (MBP, capaz de se ligar à membrana do parasita) eles são capazes de fragmentar os parasitas.
eosinófilo
Eosinófilo
  •  Basófilos: são muito semelhantes aos mastócitos do tecido conjuntivo propriamente dito. Eles são células com núcleo bilobulado coberto por grânulos grandes e são muito corados com a hematoxilina, pois os grânulos são basofílicos. Eles correspondem a 1% dos leucócitos circulantes e também podem atingir o tecido conjuntivo. O principal papel é na hipersensibilidade imediata, como a asma brônquica, ou tardia, como uma reação alérgica cutânea. Eles estão ligados a infecções virais e situações de inflamação crônica. Os grânulos dos basófilos têm grande volume e proteínas ácidas sulfatadas, ou carboxiladas (como a heparina).
basófilo
Basófilo
Agranulócitos
Os agranulócitos apresentam um núcleo arredondado e não segmentado. O citoplasma deles contém grânulos primários, que são lisossomas. Como principais características deles, vamos dizer que: os linfócitos têm uma relação núcleo/citoplasma muito pequena, isto é, tem muito núcleo e pouco citoplasma, já os monócitos têm o núcleo com formato reniforme.
  • Linfócitos: os linfócitos apresentam um citoplasma basofílico e delgado. O núcleo é bem escuro e redondo, pois a cromatina deles é mais densa. Eles ainda podem ser classificados como grande ou pequeno, e apresentam de 20 a 40% dos leucócitos circulantes. Os linfócitos são divididos em linfócito B, linfócito T e natural killer. Na microscopia ótica, não é possível separar esses linfócitos, isso é possível apenas por separações químicas ou marcação por fluorescência. Os linfócitos B são produzidos e a amadurecidos na medula óssea, e são precursores dos plasmócitos (células do tecido conjuntivo ligadas à produção de anticorpos). Já os linfócitos T são produzidos na medula óssea, e migram para o timo, e é lá que amadurecem. Tanto o linfócito B quanto o T estão relacionados à defesa celular, o natural killer com a resposta imune imediata.
Linfócito
Linfócito
  • Monócitos: os monócitos possuem núcleo reniforme (formato de rim) e os filamentos de cromatina são finos, por isso que o seu núcleo não fica tão corado na microscopia como o do linfócito. Eles apresentam grânulos que não são visualizados na microscopia de luz (são grânulos lisossomais). Os monócitos circulam no sangue de 12 a 100 horas, e vão pro tecido conjuntivo onde vão dar origem aos macrófagos.
Monócito
Monócito: núcleo riniforme
O que ocorre durante a inflamação?
Uma proteína da membrana do leucócito interage com a proteína da membrana de uma célula do endotélio, que está lá só por causa da inflamação. A partir dessa interação, as células começam a fazer o que chamam de “rolamento” no endotélio. Após essa interação, elas migram do endotélio para o tecido conjuntivo, onde irão atuar.
O rolamento é feito pelas selectinas, é uma adesão fraca entre o leucócito e o endotélio, mas tem que ser fraca mesmo porque a célula tem que, literalmente, rolar. Os macrófagos que estão ativos secretam proteínas que estimulam a expressão dessas selectinas pelas células endoteliais. Depois desse passo, os leucócitos realmente se aderem, e o rolamento é interrompido, isso por causa da atuação das integrinas. Rolou, aderiu e aí quando chegar ao local certo o leucócito migra para o tecido conjuntivo por meio de diapedese (essa migração é facilitada por uma proteína chamada de CD31).
Tudo isso chamam de endereçamento (homing).
Hematopoiese
A hematopoiese é um fenômeno que ocorre já durante a vida intrauterina. No feto, ela tem início no primeiro trimestre nas ilhotas hematopoiéticas que ficam no saco vitelínico. Essas ilhotas se desenvolvem a partir dos hemangioblastos, os progenitores das células hematopoiéticas e das células endoteliais. No próximo trimestre, a hematopoiese passa a ser no fígado e depois no baço. Já no sétimo mês de vida intrauterina, a hematopoiese passa a ser na medula óssea e permanece assim durante a vida adulta.
A formação das células do sangue (hematopoiese) corresponde a um sistema hierárquico. Isso porque todas as células têm origem a partir de um precursor comum, que são as células hematopoiéticas as quais dão origem a progenitores multipotentes, que, por sua vez, dão origem aos precursores das células maduras. Todos os processos são controlados por citocinas (CFU) bastante importantes na diferenciação das células.
Todos os processos de hematopoiese ocorrem na medula óssea. Nela há dois compartimentos: estroma da medula óssea (estroma reticular) e o compartimento hematopoiético, em que ocorre a produção do sangue. O estroma tem todos os componentes de tecido conjuntivo como fibroblasto, além de algumas células acumuladoras de gordura que, durante o envelhecimento da medula óssea vermelha, ela passa a ser vermelha para branca/amarela, porque ocorre acumulação de gorduras e diminuição da quantidade de produção de sangue. Essa produção se limita, durante o desenvolvimento do indivíduo, a alguns ossos como costelas, vértebras e no quadril e cabeça do fêmur. O estroma da medula ainda tem células adiposas, macrófagos, etc, etc…
No estroma da medula óssea, cada componente tem um papel importante: as células endoteliais constituem – se uma barreira que impede as células hematopoiéticas maduras de entrarem no sangue. As adiposas são fontes de energia e sintetizam fatores de crescimento. Os macrófagos removem células e os núcleos residuais dos eritrócitos. Os osteoblastos são os responsáveis por remodelar e manter o tecido ósseo adjacente ao tecido medular.
Ainda na medula óssea, deve – se lembrar que há três tipos de populações celulares: células – tronco hematopoiéticas (capazes de auto – renovação), células precursoras comprometidas (geração de linhagens celulares distintas) e células em maturação (resultantes da diferenciação da população de células precursoras comprometidas).
  • Células – tronco hematopoiéticas (auto – renovação): produzem duas células precursoras comprometidas que são as célula – tronco mielóide e a célula – tronco linfóide.
Das células tronco mielóide originam – se UFC eritróide, UFC megacariocítica, UFC basofílica, UFC eosinofílica e a UFC para granulócitos – macrófagos (produzem eritrócitos, plaquetas, basófilos, eosinófilos, monócitos e neutrófilos respectivamente).
Há três fatores que influenciam na hematopoiese, são conhecidos como citocinas hematopoiéticas. Eles são produzidas na medula óssea e também fora dela. Eles são: fatores estimuladores de colônicas (UFC – capazes de estimular células precursoras comprometidas a crescer in vitro), eritropoietina, trombopoietina e citocinas.
Os processos de hematopoiese são controlados a partir de um precursor comum. As células migram da medula para o vaso sanguíneo, onde encontram a circulação. (migração transendotelial).
Dependendo do elemento celular que está sendo produzido, ele só ficará pronto quando encontrar outros órgãos como o timo (linfócitos T) e linfonodos (ativação dos linfócitos).
Em resumo:
Células hematopoieticas -> progenitores multipotentes -> precursores das células maduras -> células maduras
Eritropoiese
→ Pró – eritroblasto -> eritroblasto basófilo -> eritroblasto policromátílico -> eritroblasto ortocromático -> reticulócito -> eritrócito;
→ regulada pela eritropoietina (glicoproteína produzida no rim em resposta à hipóxia!);
Os eritrócitos têm origem a partir de um eritroblasto da linhagem mieloides. Eles diferenciam até chegar aos glóbulos vermelhos. Nesse processo de diferenciação, a célula vai perdendo o núcleo: o núcleo vai diminuindo até que é exocitado. Por fim, a célula começa a expressar hemoglobina (deixa a hemácia vermelhinha).
Leucopoese
→ Linhagem granulocítica: mieloblasto -> pró – mielócito -> mielócito -> metamielócito -> célula em bastão (bastonete) -> forma madura
A leucopoese é o fenômeno que dá origem aos leucócitos. A produção dos granulócitos (os quais têm origem a partir do mieloblasto) se dá pelo pró mielócito (que é a fase em que ocorre a síntese dos grânulos). É na fase do mielócito ainda que começa a produção específica dos grânulos, quando se diferenciam em neutrófilo, basófilo e eosinófilo (surgimento dos grânulos secundários). Outra característica da fase do mielócito é que a região do Golgi é bem nítida e é o último estágio em que a célula pode se dividir. A partir disso, a célula só se diferencia de acordo com a sua linhagem. A segmentação do núcleo acontece quando a célula está em formato de bastão.
Monopoiese
→ Monoblastos -> pró monócitos -> monócitos
A proteína GM – CSF é importante na produção dos monócitos, os quais são morfologicamente semelhantes aos mieloblastos. Os promonócitos possuem núcleo grande e endentado. É na etapa de promonócito que começa o endilhamento do núcleo, quando ele começa a mudar de forma. Antes, ele tinha uma forma grande e circular, dai o processo de endentação faz com que ele vá adquirindo o formato de núcleo riniforme, característico dos monócitos.
Linfopoiese
Os linfócitos têm origem do linfoblasto. Tem linfoblasto -> prolinfócito -> linfócito médio -> linfócito pequeno e plasmócito (quando se trata de linfócitos B, senão para no linfócito pequeno). O linfoblasto tem cromatina frouxa, nucléolo proeminente e citoplasma com muitos ribossomos, além de poucas cisternas do retículo endoplasmático.
A maturação dos linfócitos ocorre no timo e linfonodos.
Trombopoese
A produção das plaquetas têm origem a partir do megacarioblasto que, diferente das outras células, ele é menorzinho. A célula se divide de maneira em que o citoplasma não é dividido junto, ou seja, não tem citocinese. Daí, a cada divisão o tamanho da célula vai aumentando. Posteriormente, essa célula gigante é fragmentada, e formam – se as plaquetas. A ordem de formação é: megacarioblasto, promegacariócito, megacariócito basófilo e depois o acidófilo (Os megacariócitos desenvolvem projeções citoplasmáticas que se tornam pró – plaquetas). Tudo isso ocorre só na medula, e no sangue só tem as plaquetas!  Esse processo de divisão nuclear sucessiva, sem a divisão da célula é chamada de endomitose.

Tecido Conjuntivo

O tecido conjuntivo é o responsável pelo estabelecimento e manutenção do corpo: as células da matriz extracelular dão suporte para que as células dos outros tecidos fiquem apoiadas. Ele é composto por componentes que podem ser divididos em três classes: fibras, células e substância fundamental. Sua origem é do tecido embrionário chamado mesênquima, onde ficam as células mesenquimais.
As suas células ficam distribuídas dentro de uma matriz extracelular muito abundante, com grande suplemento sanguíneo, linfático e nervoso. Na matriz extracelular encontram – se proteínas fibrosas (colágeno e elastina) e substância fundamental (glicoproteínas e proteoglicanos (essas não possuem fibras e ficam, então, dissolvidas na matriz).
Classificação do Tecido Conjuntivo
O tecido conjuntivo pode ser classificado em embrionário, adulto (também chamado de propriamente dito) e especializado.
  • Embrionário
O tecido conjuntivo embrionário é absurdamente frouxo, possui matriz hidrofília e também é conhecido como tecido conjuntivo mucoso ou “Geleia de Wharton”. Depois do nascimento do indivíduo, esse tecido pode ser encontrado, nas crianças, na polpa dos dentes. A matriz é extremamente amorfa e clarinha, porque ela é muiiiiiiiito rica em água. Nela também ficam as fibras de colágeno.
  • Adulto
O tecido conjuntivo adulto pode ser dividido em frouxo e denso, sendo que o denso pode ser subdividido em modelado e não – modelado. O tecido é classificado como frouxo ou denso de acordo com a quantidade de célula e matriz:
  • mais célula do que matriz = conjuntivo frouxo (frouxo porque o que dá resistência ao tecido é a matriz celular rica em colágeno);
  • mais matriz do que célula = conjuntivo denso (denso porque tá “bagunçado”, se as fibras ficam sem orientação, assim como as células, aí chamamos de não – modelado, se tiverem uma orientação, daí é modelado;
O tecido conjuntivo denso é adaptado para fornecer resistência e proteção aos tecidos. São predominantes neles as fibras colágenas e não há tantas células como no frouxo, por exemplo. Ele é menos flexível do que o frouxo, mas mais resistente à tensão. Quando as fibras colágenas são organizadas em feixes sem uma orientação definida, os tecido chama – se denso não modelado, quando elas estão paralelas umas às outras e alinhadas com os fibroblastos, daí chamamos de modelado. O tecido conjuntivo modelado é encontrado em tendões, ligamentos e córnea. O não modelado, na derme.
O tecido frouxo é mais distribuído no organismo e bastante ligado à nutrição. Ele tem pouca resistência às trações e envolve bastante os vasos sanguíneos. É um tecido conjuntivo muito comum que preenche espaços entre grupos de células musculares, suporta células epiteliais e forma camadas em torno dos vasos sanguíneos. As células mais numerosas nesse tecido são os fibroblastos e macrófagos, mas todos os outros tipos de celulares do tecido conjuntivo estão presentes. Ele tem uma consistência delicada e é bem vascularizado.
Há ainda o tecido conjuntivo reticular, encontrado na aorta, que garante resistência elástica. Ele geralmente está formando o estroma de alguns órgãos que precisam de um arcabouço mais resistente, como os órgãos hematopoiéticos e como o fígado. Há uma prevalência de fibras reticulares em relação às fibras elásticas. O tecido conjuntivo elástico, por outro lado, tem predomínio de fibras elásticas e é mais encontrado em paredes de grandes vasos sanguíneos e em ligamentos.
  • Especializado
Existem quatro tipos de tecidos conjuntivos especializados: tecido adiposo, tecido cartilaginoso, tecido ósseo e tecido hematopoiético. Eles serão melhor estudados posteriormente.
Resumindo…
TecidoPrincipais Características
Tecido Conjuntivo EmbrionárioMucoso; Grande quantidade de água, proteinoglicanos e glicosaminoglicanos;
Tecido Conjuntivo Adulto (propriamente dito) FrouxoNão é tão resistente à tensão; Relacionado à nutrição;
Tecido Conjuntivo Adulto (propriamente dito) Denso ModeladoFibras Orientadas
Tecido Conjuntivo Adulto (propriamente dito) Denso Não ModeladoFibras Não Orientadas
Tecido Conjuntivo Adulto (propriamente dito) ReticularPredomínio de Fibras de Colágeno III
Tecido Conjuntivo Adulto (propriamente dito) ElásticoPredomínio de Fibras de Colágeno II
Quais são as células do tecido conjuntivo?
As células do tecido conjuntivo são: fibroblasto (produzem a matriz extracelular), macrófagos, mastócitos, plasmócitos, leucócitos.
  • Fibroblastos: sintetizam as proteínas de colágeno e elastina, além das glicosaminoglicanas, proteoglicanas e glicoproteínas multiadesivas que farão parte da matriz extracelular. É uma célula fusiforme. Os fibroblastos são células que realizam muita síntese e por isso possuem atividade metabólica alta, então é fácil deduzir que devido a esses fatores eles têm um nucléolo bem visível. É importante lembrar que antes de um fibroblasto ser um fibroblasto, ele foi antes um fibrócito! Não podemos negar nosso passado. O fibrócito é uma célula cuja atividade sintética é muiiiiito menor que a do fibroblasto, então o seu nucléolo não é tão visível assim.
fibrocito e fibroblasto
O fibroblasto possuirá atividade sintética maior, então é normal seu citoplasma possuir organelas como complexo de golgi e ribossomos mais evidentes, quando comparado com uma célula mais quiescente, como seu precursor, o fibrócito.
  • Macrófagos: os macrófagos possuem propriedades fagocíticas, isto é, eles promovem “limpeza” e renovação do tecido, remodelando o mesmo, derivam de células precursoras da medula óssea, que se dividem produzindo os monócitos. A função principal do macrófago é ser capaz de manter a homeostase do tecido (equilíbrio). Sua ação é de renovar as fibras senescentes e o material da matriz extracelular. apresentar antígenos (na resposta imunológica) e produzir ocitocinas (que são mediadores inflamatórios). O fibroblasto constrói/sintetiza a matriz, enquanto o macrófago destrói/remodela a matriz. Outra diferença entre os dois, é que o fibroblasto não tem capacidade de fagocitar bactérias, enquanto o macrófago tem. Eles também possuem muitos lisossomos, para a degradação do material fagocitado, um núcleo irregular (não possui uma forma definida). Os macrófagos são encontrados SOMENTE no tecido conjuntivo, o seu precursor habita a corrente sanguínea e é denominado monócito. Assim, os macrófagos e monócitos são as mesmas células, mas em estados diferentes de evolução. Até é possível encontrar monócitos no tecido conjuntivo, às vezes o tecido é fixado bem no momento em que o monócito ainda não se transformou no macrófago. Só o inverso (macrófago na corrente) que num é possível.
Macrófago
Aproveitando a imagem, é possível observarmos o formato fusiforme do fibroblasto.E em relação ao macrófago, percebemos que ele não possui um formato regular, como foi descrito, e também a grande quantidade de matriz extracelular que o tecido conjuntivo é característico de possuir.
É normal que os macrófagos ganhem nomes específicos dependendo do lugar em que são encontrados. No fígado, eles são chamados de células de Kupffer, no tecido ósseo de osteoclasto e no sistema nervoso central, de microglia.
Macrófago x Fibroblasto: o fibroblasto tem núcleo elíptico regular e é responsável pela síntese da matriz extracelular. O macrófago tem núcleo irregular, com muitas enzimas de degração no seu interior e é responsável pela degradação do tecido conjuntivo. Na lâmina, o núcleo do macrófago é mais clarinho, já do fibroblasto é mais eosinofílico, então ele fica mais escuro.
  • Mastócitos: essas células têm como função promover alergia (histamina), defesa contra patógenos (mediadores químicos) e atua no processo de cicatrização (heparina). É uma célula em que os grânulos são de fácil visualização e eles são metacromáticos (mudam de cor a cada corante utilizado!). Eles possuem origem na medula óssea e ganham a corrente sanguínea para posteriormente migrar para os tecidos. Esses grânulos contêm histamina (desencadeador da alergia), heparina (anti coagulante) e mediadores químicos que atraem monócitos, neutrófilos e eosinófilos.
Mastócito
Mastócito: onde é possível visualizar a grande quantidade de grânulos.
O mecanismo de secreção desse grânulos pelo mastócito é o seguinte: a pessoa primeiro tem que ter sido inoculada pelo antígeno uma vez. Na segunda vez, já terão moléculas de IgE que vão se ligar aos receptores da superfície celular do mastócito, e quando entrar em contato com o antígeno, vai ser disparada uma cascata de fosforilação no citoplasma do mastócito e a concomitante entrada de íon cálcio na célula. Essa sinalização celular fará com que os grânulos comecem a se fundir e então são exocitados. Junto disso, tem na membrana plasmática umas fosfolipases que aceleram o processo de síntese de leucotrienos.
É importante ressaltar que, há duas populações de mastócitos no tecido conjuntivo, e os mastócitos dessas duas populações são morfologicamente semelhantes. Apesar disso, um é encontrado na pele e cavidade peritoneal e seus grânulos contêm uma substância anticoagulante (que é a já citada heparina). O outro tipo é o mastócito da mucosa, como o próprio nome já diz, ele se localiza na mucosa intestinal e nos pulmões, só que seus grânulos possuem condroitim sulfatado no lugar de heparina.
OBS: Embora os mastócitos sejam semelhantes aos leucócitos basófilos, os mastócitos se originam de uma célula tronco diferente!
  • Plasmócitos: os plasmócitos têm influência no processo da resposta inflamatória com a produção de anticorpos. São células especializadas na síntese e secreção de imunoglobulinas, por causa disso eles apresentam retículo endoplasmático rugoso e complexo de Golgi muito desenvolvidos, além de um nucléolo proeminente, essas organelas são facilmente identificadas na lâmina. O núcleo dessas células possui formato de “roda de carroça” e o citoplasma delas é bastante basofílico e possui uma área acidófilica próxima ao núcleo, que é o Complexo de Golgi. São mais abundantes nas inflamações crônicas e em locais sujeitos à penetração de antígenos ou microorganismos, mas em compensação são escassos em tecidos conjuntivos normais.
Plasmócito
Nessa foto, forçando BEEEEM a amizade, é possível perceber o núcleo em formato de roda de carroça. Em outras fotos, essa visualização é mais clara.
  • Leucócitos: os leucócitos são componentes normais do sangue e chegam aos locais de inflamação por quimiotaxia, através de diapedese (passagem dos leucócitos pro tecido conjuntivo atravessando os vasos sanguíneos).
Leucócitos
Inflamação: aumento do fluxo sanguíneo e da permeabilidade vascular, com os leucócitos executando a diapedese, quimiotaxia e fagocitose.
Inflamação é um quadro com os seguintes acontecimentos: aumento do fluxo sanguíneo e da permeabilidade vascular (por ação de substâncias vasoativas como a histamina), quimiotaxia e fagocitose. Os leucócitos, depois de terem alcançado o tecido conjuntivo, não retornam ao sangue. A única exceção são os linfócitos que circulam continuamente em vários compartimentos do corpo.
Outros Componentes do Tecido Conjuntivo
No tecido conjuntivo também temos as fibras de colágeno e reticulares (formadas por colágeno) e as elásticas (formadas por elastina), as glicoproteínas e proteonoglicanos, e metaloproteínas, que formam a substância fundamental.
Palhinha sobre: Colágeno
O colágeno é a proteína mais abundante no organismo, cuja principal função é estrutural. Características encontradas em pele, osso, cartilagem, músculo liso e lâmina basal como força, tensão e elasticidade, são devidas a essa proteína.
  1. Colágenos que formam fibras longas: (colágeno de tipo I) ocorre como estruturas classicamente denominadas de fibrilas de colágenos e que formam ossos, dentina, tendões, cápsula de órgãos, derme, etc.
  2. Colágeno de ancoragem: as fibrilas de colágeno são formadas pela polimerização de tropocolágeno (processo melhor detalhado quando falarmos sobre as fibras de colágeno)
A renovação do colágeno é, em geral, muito lenta. Só é rápida no ligamento periodontal. Antes do processo de renovação do colágeno, é preciso que ele seja degradado por enzimas chamadas de colagenases.
Fibras
  • Fibra de colágeno: esse tipo de fibra é grande, então não seria possível que ela fosse sintetizada dentro dos fibroblastos já polimerizada. Como saída para esse problema, os fibroblastos produzem um tipo de procolágeno que, posteriormente, formará a fibrila colágena e depois essa fibrila forma a fibra colágena! Durante essa transformação, o procolágeno sofre um tipo de arranjo com tropocolágeno, perde a região C e N terminal e forma a fibrila colágena. Essa fibrila, por ação de proteínas como FACIT e proteoglicanas forma um outro arranjo formando a fibra colágena. O colágeno mais abundante é o do tipo I, e ele é mais distribuído também. Há outros tipos de colágenos importantes que formam redes reticulares (colágenos tipo IV). O tipo II é fibrilar e é mais produzido pela cartilagem (tecido que será estudado depois!). As fibras colágenas são as mais numerosas no tecido conjuntivo. No estado fresco elas têm cor branca, por isso os tecidos em que elas predominam têm essa cor também. Tipo os tendões, eles têm a cor branca porque são ricos em fibras de colágeno.
fibra colágeno
Fibra de colágeno: é possível observar que elas seguem uma orientação, logo é um tecido denso modelado (tendão).
  • Fibras reticulares: essas fibras são constituídas predominantemente por colágeno tipo III. Elas são particularmente abundantes em músculo liso, endoneuro e nas trabéculas de órgãos hematopoieticos (baço, nódulos linfáticos, medula óssea vermelha). Essas fibras são capazes de criar um tipo de rede flexível em órgãos que estão sujeitos a mudanças fisiológicas de forma ou volume, tais como artérias, baço, fígado, útero e camadas musculares do intestino.
  • Fibra de elastina: outra proteína fibrilar é a elastina, que forma as fibras elásticas. Elas estão bastante localizadas na derme, no mesentério e formando as camadas concêntricas da aorta. Mais uma vez, sua síntese é dependente da ação do fibroblasto. Primeiro, ele produz a proelastina, ai vem a tropoelastina e depois as fibras elásticas. Essas fibras têm três tipos que são variações dependendo do estágio de elastogênese: oxitalânicas, elaunínicas, e as maduras. A elastina vai se juntando com o tempo e formando fibras mais resistentes, que são as maduras! Como já dito, elas são mais encontradas na derme, quando essas fibras se rompem surgem as malditas estrias.
Fibra Elástica
Fibra Elástica
As fibras oxitalânicas não possuem tanta elasticidade, mas são altamente resistentes à força de tração, enquanto as fibras elásticas distendem – se facilmente quando tracionadas. E elastina é resistente à fervura, à extração com ácalis e com ácido, e à digestão com proteases usuais, mas é facilmente hidrolisada pela elastase pancreática. Ela também ocorre na forma não fibrilar, formando as membranas fenestadas (lâminas elásticas!), presentes nas paredes de alguns vasos sanguíneos. Uma curiosidade sobre a elastina, é que ela possui dois aminoácidos incomuns: desmosina e isodesmosina.
A fibra elástica quando está relaxada, fica enovelada. Quando tracionada, fica esticada!
Substância Fundamental
A substância fundamental é uma mistura complexa altamente hidratada, incolor e transparente de glicosaminoglicanos e proteoglicanos, e glicoproteínas multiadesivas. Como ela é viscosa, ela pode atuar tanto como lubrificante, e como barreira à penetração de microorganismos invasores, sendo que ela preenche os espaços entre as células e fibras do tecido conjuntivo.
  • Proteoglicanos: tem como função a hidratação, eles formam poros que permitem a difusão de algumas moléculas dentro do tecido conjuntivo, além de se associarem com outras proteínas da matriz extracelular. Um dos tipos de proteoglicanos é a agrecan, bastante encontrada na cartilagem, auxiliando no suporte e proteção desse tecido.
  • Glicoproteínas: são proteínas globulares, enoveladas, associadas a uma cadeia de açúcar. São vistas pela coloração com PAS (que é a que permite a visualização da membrana basal nos tecidos). A laminina é uma proteína encontrada na lâmina basal e envolvida em diferentes etapas de diferenciação, adesão e sobrevivência das células, tem formato de cruz. Já a integrina é a proteína que interage com as outras células.
  • Metaloproteinases: são capazes de degradar células, pois acaba com o colágeno (auxilia, assim, no remodelamento da matriz extracelular!!), elas têm capacidade de liberar fatores e assim possibilitar a migração de células, sua natureza é, então, importante fator no câncer.
Referências
CARNEIRO, J.; JUNQUEIRA, L.; (2004) Histologia Básica. 10ed. p.92 a 124. Guanabara

  

Tecido Cartilaginoso

O tecido cartilaginoso tem como principal função fornecer suporte aos tecidos moles e no crescimento dos ossos longos. Além disso, ele reveste as superfícies articulares e facilita o deslizamento de ossos nas articulações e tem abundante matriz – extracelular.
As células do tecido cartilaginoso são chamadas de condrócitos. Dentro do tecido, eles ocupam um lugar específico chamado lacuna.
Pericôndrio
O tecido cartilaginoso não possui muitos vasos sanguíneos, linfáticos e nervos. Sua nutrição é feita por capilares do conjuntivo que envolvem o tecido, chamado de pericôndrio. O pericôndrio é um tecido conjuntivo denso formado por duas camadas: camada fibrosa, que fica na parte mais superficial do pericôndrio, e pela camada condrogênica, em que é rica em células (quanto mais próximo à cartilagem, mais rico em células o pericôndrio fica!). Morfologicamente, as células do pericôndrio parecem com os fibroblastos, só que as que ficam próximas à cartilagem têm a capacidade de originar condrócitos, ou seja, elas são funcionalmente como os condroblastos!
As cartilagens são envolvidas por essa bainha (pericôndrio), que possui vasos sanguíneos, linfáticos e nervos, com exceção das cartilagens articulares e a do tipo fibrosa. Isso porque, essas cartilagens recebem nutrientes da bolsa sinovial.
O pericôndrio é ainda uma fonte de novos condrócitos para o crescimento, além de ter função importante, como já dito, na nutrição e inervação do tecido cartilaginoso. Ele também é responsável pela oxigenação e eliminação de resíduos metabólitos do tecido.
Origem do Tecido Cartilaginoso
As células do tecido cartilaginoso, os condrócitos, têm origem de células mesenquimais (do mesênquima). Quem dá origem aos condrócitos é uma célula chamada de condroblasto. Essas células mesenquimáticas se diferenciam em condroblastos, os quais se proliferam e começam a produzir matriz extracelular. Com o tempo, essa matriz começa a separar essas células uma  das outras, até que elas ficam presos nos espaços chamados de lacunas.
Crescimento do Tecido Cartilaginoso
O crescimento pode ser: intersticial (crescimento dos condrócitos, que dá origem aos grupos isogênicos, por meio de divisão mitótica dos condrócitos preexistentes) e aposicional (crescimento da espessura da cartilagem, a partir das células do pericôndrio).
Condrócitos
Na periferia da cartilagem hialina, os condrócitos têm a forma achatada, e quanto mais profundo ao tecido, eles vão ficando mais esféricos e aparecem em grupos de 8 células chamados de grupos isógenos (suas células são geradas de um único condroblasto). Os condrócitos têm uma superfície celular mais aumentada, a fim de aumentar a superfície de contato e facilitar a nutrição da célula (lembre – se que esse tecido é pobre em vasos sanguíneos, então sua forma de nutrição é bem característica em relação aos outros tecidos!). Os condrócitos são células secretoras de colágeno tipo II, proteoglicanas e glicoproteínas (como a condronectina).
Além da nutrição ser pobre, a oxigenação desse tecido também é. Então, devido à baixa tensão de oxigênio, esse tecido degrada a glicose, principalmente, de forma anaeróbia. Os nutrientes chegam do sangue por meio de difusão atravessam do sangue para o pericôndrio, matriz da cartilagem e vão até os condrócitos mais profundos.
Condrócito x Condroblasto
Assim como a relação entre os fibrócitos e o fibroblasto, os condrócitos e condroblastos são semelhantes. Os condrócitos encontram – se aprisionados pela matriz extracelular e trabalham mais lentamente do que os condroblastos. Quando os condrócitos se dividem, eles ficam presos na mesma lacuna.
Os condrócitos possuem grânulos de glicogênio e lipídeos no seu citoplasma para poderem se nutrir. Isso porque, a vascularização é precária, então eles precisam de uma outra fonte de energia. Ainda por causa disso, deve – se lembrar que a oxigenação desse tecido também não é lá aquelas coisas tão eficiente.
Renovação do Tecido Cartilaginoso
Os condrócitos estão em constante renovação na matriz extracelular. Para provar isso, alguns pesquisadores injetam uma substância chamada de papaína nas orelhas dos coelhos. Elas só conseguem ficar de “pé” por causa do tecido conjuntivo! Mas, essa papaína tem o poder de destruir a matriz. Depois de um tempo que os coelhos ficaram com as orelhas caídas, elas voltaram a ficar de pé, o que prova que há renovação do tecido cartilaginoso, sim!
No entanto, essa renovação é beeeem limitada, porque a falta da nutrição adequada impede que esse crescimento tenha um desempenho esperado. Mas, a cartilagem está sempre sujeita a processos degenerativos. Inclusive, se esses processos forem muito intensos, pode acontecer a calcificação da matriz cartilaginosa, o que retira a propriedade de aguentar impactos que o tecido cartilaginoso possui. (Muitas doenças de jogadores de futebol que afetam o joelho são causadas por isso).
Matriz Extra – Territorial e Interterritorial
A matriz territorial fica mais em contato com os condrócitos. Em volta dela, é onde fica a matriz interterritorial.
A resistência do tecido cartilaginoso é dada pelo colágeno do tipo II ou da combinação de colágeno com elastina, e glicosaminoglicanos que se ligam ao colágeno.
O tecido cartilaginoso apresenta uma grande quantidade de moléculas de água que auxiliam na absorção dos choques.
Tipos de Tecido Cartilaginoso
O tecido cartilaginoso tem três tipos: cartilagem hialínica, cartilagem elástica e cartilagem fibrosa.
Cartilagem Hialina
A cartilagem hialina é a mais comum, encontrada na cartilagem articular, e é nutrida pelo líquido sinovial. Ela é branco – azulada quando vista no microscópio eletrônico e translúcida.
cartilagem hialina
Cartilagem Hialina (traqueia): Branco - Azulada e Translúcida
É essa cartilagem que constitui o primeiro esqueleto do embrião, o qual passará por um processo de ossificação posteriormente. Outro lugar em que podemos encontrar a cartilagem hialina é entre a diáfise e a epífise de um osso, onde fica um disco epifisário composto de cartilagem hialina, que é responsável pelo crescimento do osso em extensão.
Nos adultos, a cartilagem hialina é encontrada nas paredes das fossas nasais, traqueia e brônquios, extremidade ventral das costelas e recobrindo as superfícies articulares dos ossos longos, em articulações com grande mobilidade.
Sua matriz possui delicadas fibrilas de colágeno tipo II associadas ao ácido hialurônico, proteoglicanas muito hidratadas e glicoproteínas, além das glicosaminoglicanas. Por fim, outro componente importante é a condronectina, uma glicoproteína estrutural, capaz de se ligar aos condrócitos e fibrilas de colágeno tipo II, formando um tipo de arcabouço macromolecular na matriz junto com os condrócitos.
“Em torno dos condrócitos existem zonas estreitas ricas em proteoglicanas e pobres em colágeno. Essas zonas mostram basofilia, metacromasia e a reação PAS mais intensas do que no resto da matriz, sendo impropriamente chamadas de cápsulas, porque inicialmente se acreditava que constituíssem uma parede envolvendo as células.”  (Junqueira e Carneiro)
Cartilagem Elástica
A cartilagem elástica é encontrada em regiões do corpo que precisam de flexibilidade. Na microscopia, ela apresenta uma aparência mais fibrosa do que a hialina. Sua matriz possui poucas fibrilas de colágeno tipo II e muitas fibras elásticas.
Ela é encontrada: pavilhão auditivo, conduto auditivo externo, tuba auditiva, epiglote, cartilagem cuneiforme da laringe.
É basicamente igual a hialina, mas possui uma rica rede de fibras elásticas contínuas com o pericôndrio. A elastina faz essa cartilagem ter uma cor amarelada quando visualizada a fresco. Ela cresce principalmente por posição e é menos sujeita a processos degenerativos do que a de hialina.
Cartilagem Elástica
Cartilagem Elástica (orelha): Cor amarela no microscópio eletrônico
Cartilagem Fibrosa
A cartilagem fibrosa está em um nível intermediário entre a de hialina e a elástica. Sua nutrição é feita por difusão, e sua matriz é composta por majoritariamente fibras de colágeno tipo I.
É encontrada nos discos intervertebrais e na sínfise pubiana. A fibrocartilagem está sempre associada a conjuntivo denso, sendo imprecisos os limites entre os dois. A substância fundamental é escassa e limitada à proximidade das lacunas. As fibras colágenas tipo I constituem feixes que seguem uma orientação aparentemente irregular entre os condrócitos. Não existe pericôndrio!
Cartilagem fibrosa (disco intervertebral): os condrócitos estão organizados em grupos isogênicos
Discos Intervertebrais
Localizado entre os corpos das vértebras e unidos a elas por ligamentos. São formados por dois componentes: anel fibroso e núcleo pulposo.
disco intervertebral
Disco intervertebral: absorção de impactos e mobilidade entre as vértebras
Referências
CARNEIRO, J.; JUNQUEIRA, L.; (2004) Histologia Básica. 10ed. p.130 a 135. Guanabara.

Tecido Adiposo

O tecido conjuntivo adiposo é aquele que tem predomínio de células chamadas de adipócitos, as quais têm o poder de acumular gotículas de lipídeo no seu interior (triglicerídeos). Ele é comumente encontrado na hipoderme e nas vísceras, sua função é principalmente o armazenamento de energia.
Os triglicerídeos (já estudados no tópico sobre Lipídeos) são renovados constantemente por influência de estímulos nervosos e hormonais. Isso só é possível porque o tecido adiposo é inervado e possui vasos sanguíneos.
Outras funções do tecido adiposo também são o modelamento do corpo embora nem todo tecido adiposo tenha um bom gosto de modelamento, né? formação de coxins absorventes de choques, evitando que ocorram choques entre os órgãos internamente, preenchimento de espaços e isolamento térmico.  Além disso, hoje já associa – se o tecido adiposo como um órgão endócrino, pois ele é capaz de, por exemplo, converter testosterona em estrógeno (na mulher), e também tem alguns outros hormônios por ele excretados que estão relacionados com doenças muito comuns em indivíduos com obesidade, como hipertensão e diabetes.
Tipos de Tecido Adiposo
Há dois tipos de tecidos adiposos:
  • Unilocular: possui uma única e grande inserção lipídica na célula. Ele pode ser classificado como comum ou amarelo. Ele é distribuído no corpo de acordo com o biotipo, sexo e idade. É a grande reserva de energia e proteção contra o frio como ISOLANTE TÉRMICO. Ele está presente no adulto, já que o adulto não possui quase tecido adiposo marrom distribuído, só em algumas partes do corpo, como na aorta. Os adipócitos do tecido adiposo unilocular são células grandes com uma única inclusão lipídica e núcleo periférico. É importante ressaltar que as gotículas não possuem membranas em volta, elas ficam apenas inseridas no citoplasma. Além disso, esse tecido apresenta septos de conjuntivo que contêm vasos e nervos.
tecido adiposo multi e unilocular
Nessa foto é possível identificar o motivo de serem chamados de unilocular (apenas uma grande gota lipídica) e multilocular (várias gotinhas de lipídeo)
  • Multilocular: possui várias inserções lipídicas dentro da célula. Pode ser classificado como pardo também. Suas funções são de estoque de energia, e é um produtor de energia também EM FORMA DE CALOR (assim que ele protege do frio, e não como isolante térmico como o unilocular). As mitocôndrias desse tecido apresentam proteínas desacopladoras, e é por desacoplamento na cadeia transportadora de elétrons que esse calor é gerado. Este calor aquece os vasos sanguíneos e depois é dissipado para o resto do corpo! Uma típica ação de termogênese, bastante encontrada em recém nascidos para a proteção contra o frio, em que a oxidação dos ácidos graxos fornece calor e não ATP. Assim, é óbvio dizer que esse tecido é bastante distribuídos nos fetos e recém – nascidos, e também nos animais, principalmente nos que hibernam. Nos seres humanos adultos a distribuição não é elevada, e é encontrado apenas em alguns órgãos, como no entorno da aorta. Ele é bastante vascularizado, e a sua tonalidade parda é devido à grande presença de mitocôndrias. As células nesse tecido são menores do que no tecido adiposo branco, o núcleo não é deslocado e geralmente é central.
Origem Tecido Adiposo
As células adiposas têm a mesma origem do fibroblasto! Isto é, das células mesenquimais indiferenciadas. Todo tecido adiposo se origina de uma célula adiposa multilocular. Quando essa célula adiposa multilocular dá origem ao unilocular, as gotas lipídicas começam a se fundir até formar uma única só. Quando a “intenção” do tecido é continuar sendo multilocular, então as gotas lipídicas continuam imersas separadamente no citoplasma.
Distribuição do Tecido Adiposo Marrom no Recém – Nascido
Tecido Marrom no Neném
Tecido Marrom no Neném
A foto a cima demonstra onde o tecido adiposo marrom é encontrado nos recém – nascidos. Esse tecido vai sendo degradado conforme o tempo vai passando, e no adulto sua distribuição é bem limitada, como já foi explicado.
Referências
CARNEIRO, J.; JUNQUEIRA, L.; (2004) Histologia Básica. 10ed. p.125 a 129. Guanabara.



Tecido Epitelial

Exemplos e funções do tecido epitelial
O tecido epitelial tem diversas funções no nosso organismo:
  • Pele: revestimento;
  • Intestino: absorção de íons e moléculas;
  • Glândulas: secreção;
  • Neuroepitélio [olfatório]: percepção de estímulos;
  • Células mioepiteliais: contração;
  • Cílios [tecido da traqueia]: deslocamento de substâncias;
  • Entre um tecido e outro: favorece o deslizamento das superfícies dos órgãos, permitindo atrito adequado; Há três tipos de tecidos epiteliais: revestimento, glandular (secreção de substâncias) e neuroepitélio (assimilação de estímulos).
Principais características
  • As células são muito, muito, muito unidas, então entre elas praticamente não há matriz extracelular. Isso faz com que elas sejam muito coesas, daí a importância que será logo mais descrita dos complexos juncionais.
  • Como as células são muito justapostas, não há “espaço” para vasos sanguíneos e linfáticos. Por isso a nutrição desse tecido é feita por meio da difusão de nutrientes e metabólitos entre o tecido conjuntivo e o tecido epitelial, através da membrana basal.
  • O tecido epitelial pode ser derivado dos três folhetos embrionários: ectoderme, mesoderme e endoderme;

Tecido Epitelial de Revestimento

Como são as células do tecido epitelial?
Elas têm desde o formato poliédrico até achatado, depende do tecido epitelial analisado! O interessante é que, de acordo com o formato da célula, o núcleo da mesma terá uma forma específica, sendo que ele pode ter desde o formato elíptico até esférico:
  • Células cuboides têm núcleo esférico;
  • Células achatadas têm núcleo pavimentoso (elíptico);
É importante analisar o formato do núcleo, pois através dessa informação é possível identificar o formato da célula e também qual o tipo de tecido epitelial analisado, de acordo com a organização das camadas.
As células possuem seu respectivo formato de acordo com a função que exerce e também da interação com as células vizinhas. Como exemplo disso, temos que as células epiteliais que são muito justapostas tendem a possuir um formato poliédrico.
Domínios Celulares
Praticamente, todos os tecidos epiteliais são revestidos por tecido conjuntivo. No caso dos órgãos ocos, esse tecido é chamado de lâmina própria.
A porção da célula epitelial voltada para o tecido conjuntivo é chamada porção basal (ou polo basal). Do lado oposto, onde geralmente é uma cavidade, chama – se porção apical (ou polo apical), e sua superfície é denominada superfície livre. Por fim, as laterais dessa célula são denominadas paredes laterais.
domínios
Domínio apical fica sempre em contato com o exterior celular (lúmen), o domínio basal sempre em contato com a membrana basal e o domínio lateral sempre em contato com outras células
Como o tecido epitelial pode ser classificado?
Os tecidos epiteliais são classificados pelo número de camadas, morfologia das células, e o tipo (ou ausência) de especialização no domínio apical.
  • Em relação ao número de camadas, o tecido epitelial pode ser: simples, estratificado ou pseudoestratificado. O tecido epitelial simples é aquele que possui apenas uma camada de células, o estratificado é quando tem mais de uma camada, o pseudoestratificado é o tecido troll que finge que parece que tem mais de uma camada, mas na verdade tem uma só. A identificação de um pseudoestratificado deve ser feita analisando – se o alongamento das células. Se a célula for muito alongada e se os núcleos estiverem em alturas diferentes nessa camada de célula, então é pseudoestratificado.
o epitélio de revestimento encontrado na pele é um típico tecido epitelial estratificado, pois há mais de uma camada de células
o tecido epitelial pseudoestratificado é comumente encontrado no trato respiratório, principalmente na traqueia, é visível que é pseudestratificado pois as células são mais alongadas e é possível perceber sobreposição de núcleos
  • Em relação à morfologia da célula, o tecido epitelial pode ser classificado em pavimentoso, cúbico, ou colunar, [prismático, cilíndrico]. Para classificar a célula é necessário observar o núcleo. Células pavimentosas têm núcleo achatado, células cúbicas têm núcleo esférico e células colunar (prismática ou cilíndrica, tanto faz) tem núcleo levemente achatado como as pavimentosas.
o túbulo renal possui um tecido epitelial simples e cúbico, é possível observar os núcleos esféricos (por isso é cúbico) e apenas uma camada de células (por isso é simples)
o endotélio é um tecido epitelial simples e pavimentoso, pois possui núcleo achatado (pavimentoso) e células em uma única camada (simples)
o tecido epitelial da traqueia é um pseudoestratificado colunar (prismático ou cilíndrico). As células parecem estar em mais de uma camada, mas na verdade é uma só. Possui células caliciformes.
  • Em relação à presença de especializações no domínio apical (é sempre nele), os tecidos epiteliais podem ser classificados se tiver cílios, microvilos e estereocílios. Os cílios são especializações grandes compostas por microtúbulos e ficam sempre em locais que há necessidade de expulsão (defesa) ou movimento (transporte), como na traqueia (defesa) e tubas uterinas (transporte). As microvilosidades são especializações compostas por actina. Elas têm como função aumentar a superfície de contato e aumentar o poder de absorção do tecido. É encontrada no epitélio intestinal e em algumas porções do rim. É importante ressaltar que na microscopia ótica, a camada de microvilos é enxergada como uma “borda em escova” (a resolução não permite que as microvilosidades sejam enxergadas). Outra observação é que MICROVILOSIDADE é uma especialização do epitélio, que só é enxergada em microscopia eletrônica, e VILOSIDADE é visível ao microscópio óptico, que são as “ondinhas” encontradas em tecidos absortivos. Por último, os estereocílios são projeções grandes, como os cílios, só que não têm movimento. Eles não são formados nem por microtúbulos, mas são filamentos de actina. Eles são encontrados no epidídimo e contribui no armazenamento e maturação dos espermatozoides.
Tecido Epitelial
tecido epitelial simples colunar em que é possível observar uma borda bem evidente, que é a "borda em escova" - microvilosidades
tecido epitelial de revestimento pseudoestratificado colunar ciliado da traqueia
tecido epitelial de revestimento pseudoestratificado colunar ciliado da traqueia
Lâmina Basal
A superfície de contato entre tecido conjuntivo e o epitélio (domínio basal) é chamada de lâmina basal, mas outros tecidos em contato com o tecido conjuntivo também possuem essa lâmina. Ela tem diversas funções, tais como:
  • influencia a polaridade das células;
  • regula a proliferação e diferenciação celular;
  • influencia no metabolismo celular;
  • organiza as proteínas na membrana plasmática de células adjacentes;
  • serve como caminho e suporte para migração de células;
Ela é formada por colágeno tipo IV, glicoproteínas (laminina e entactina) e por proteoglicanos.
Lâmina Basal
O efeito de "cola" que a lâmina basal possui ligando a camada basal do epitélio com o tecido conjuntivo é conseguido por causa de sua composição!
A lâmina basal nas células musculares, adiposa e Schwann forma uma barreira que limita ou controla a troca de macromoléculas entre essas células e o tecido conjuntivo.
Quando duas lâminas basais se juntam, forma – se a membrana basal (ela também pode ser formada pela junção de lâmina basal com lâmina reticular).
Como as células epiteliais conseguem ficar tão justapostas?
A justaposição das células epiteliais é conseguida por causa das junções celulares. Essas junções comunicantes e adesivas existem em todos os tecidos do nosso organismo, mas elas são destaques no tecido epitelial, principalmente naqueles sujeitos à uma grande tensão mecânica, como a pele. Além disso, as junções também podem ter um efeito vedante (impedindo o trânsito de materiais pelo espaço intracelular) e também como canal de comunicação para as células adjacentes.
Elas podem ser classificadas em três formas: junções de adesão, junções impermeáveis (zônulas de oclusão) e junções de comunicação (gap).
Junção Estreita (ou zônulas de oclusão)
Observação: Zônula = a célula é circundada totalmente por uma faixa ou cinturão Oclusão = ocorre uma fusão das membranas, vedando o espaço intracelular
Essas junções são capazes de criarem sulcos e linhas no tecido, quando observado pelo microscópio. O número de linhas tem uma correlação com a permeabilidade do epitélio:
  • Epitélios com mais sulcos e linhas (túbulos proximais do rim): são mais permeáveis à água e aos solutos;
  • Epitélios com menos sulcos e linhas (bexiga urinária): são menos permeáveis à água e aos solutos;
A principal função da junção estreita é promover um tipo de vedação que impede o movimento de materiais entre células epiteliais da base ao ápice e vice – versa, causando uma justaposição das membranas celulares das células vizinhas
Há também a zona de adesão que circunda toda a célula e contribui para a aderência entre as células vizinhas. Essa zona junto com a de oclusão forma um complexo chamado de unitivo.
São consideradas as junções mais apicais. As proteínas de maior destaque nessa junção são as claudinas e ocludinas
Junções de Comunicação
As junções comunicantes são encontradas em todos os tecidos dos mamíferos, menos no músculo esquelético. As proteínas correspondentes à essa junção são as conexinas. Elas se organizam em um complexo chamado de conexon (1 conexon = 6 unidades de conexinas), os quais se alinham entre si pelas células vizinhas de modo que formam canais hidrófilos entre as duas células (é claro que não existe um tipo único de conexina, assim as diferentes conexinas formam diversos tipos de canais com características fisiológicas diferentes).
Essas junções são imprescindíveis em tecidos que precisam que as células atuem em conjunto, coordenadamente, como as células do músculo estriado cardíaco, pois a passagem de íons e sinais por essas junções dá – se de forma ordenada, o que contribui para a atuação conjunta dessas células.
Junções de Adesão (zônula de adesão)
Proteínas da família das caderinas são capazes de conectar os filamentos de actina entre as células. São junções encontradas abaixo das junções oclusivas.
A junção desmossomo (constituído da membrana de duas células vizinhas, em que há um ancoramento dos filamentos intermediários encontrados no citoplasma celular) é um tipo de junção de adesão que contribui para uma adesão muito firme entre as células, junto com a atuação das proteínas caderinas. Por causa delas, é imprescindível que haja Ca²⁺, pois sem esse íon a atuação das caderinas fica comprometida. A pele é um exemplo onde encontramos muito desse tipo de junção.
Já a junção hemidesmossomo, encontrada em região de contato entre células epiteliais e lâmina basal, tem a função de prender a célula epitelial à lâmina basal, para isso conta com a presença das integrinas.

Tecido Epitelial Glandular

O tecido glandular sempre se origina de um epitélio de revestimento, pode ser um tecido glandular endócrino ou exócrino. Se a glândula possui uma comunicação com o epitélio, ela é exócrina. Quando não tem, é endócrina. A exócrina libera o produto do lado externo do epitélio, enquanto a endócrina do lado interno.
Formação Epitélio Glandular
As células do tecido epitelial começam a se multiplicar e invadir o tecido conjuntivo, a porção secretora da glândula exócrina joga a excreção para uma cavidade como demonstrada na imagem, as células epiteliais que se proliferaram devem manter contato com o epitélio para formarem uma glândula exócrina. A glândula endócrina pode ser organizada em cordões (cordonal) ou folículo (folicular) e perde o contato com o tecido epitelial. A secreção é voltada, como demonstram as setas, para os capilares ou para o interior da glândula, para ser armazenado e secretado depois. Glândulas endócrinas foliculares armazenam uma quantidade de secreção maior no citoplasma do que a cordonal.
Glândulas Exócrinas
As glândulas exócrinas podem ser classificadas como mucosa (o muco é uma substância que na microscopia aparece de forma bem pálida, porque na preparação da lâmina ele é perdido no xilol), serosa (produz um produto proteico, então o interior dessas células é rosinha por causa do corante), ou mista (secreta tanto produto proteico quanto muco, geralmente tem as duas cores, é o caso das glândulas salivares). Já na visualização das glândulas serosas em microscopia eletrônica, pode – se observar que suas células possuem núcleo esférico, região basal com retículo desenvolvido e a região apical com muitos grânulos de secreção.
As glândulas exócrinas também podem ser classificadas de acordo com os mecanismos de secreção. Glândulas merócrinas são aquelas que as membranas das vesículas de excreção se fundem com a membrana plasmática para liberar seu conteúdo (pâncreas e glândulas salivares), as apócrinas são aquelas que parte da membrana e do citoplasma se perdem na hora da excreção, e a holócrina é a glândula em que suas células se desintegram após a excreção (glândula sebácea).
Formas de Secreção
Na secreção merócrina, as membranas das vesículas se fundem com a membrana plasmática. Na apócrina, parte da membrana plasmática e do citoplasma são perdidas. Na holócrina, a célula se desintegra para que ocorra a secreção. E o último desenho é de secreção endócrina, em que o conteúdo é diretamente lançado no capilar sanguíneo
Excreções proteicas são liberadas de forma merócrina, lipídicas de forma apócrina.
Células mioepiteliais são associadas às células glandulares e se encontram entre a lâmina basal e as células secretoras. Além disso, elas dão contratilidade para expulsar a secreção das glândulas!
As glândulas exócrinas possuem dois componentes: ducto excretor (nome já diz o que é!) e componente glandular (que é o que produz o que vai ser excretado). De acordo com essas estruturas, elas podem ser:
  • Em relação ao ducto excretor -> simples (o ducto da glândula não se divide, ex. glândula sudorípara), composta (o ducto da glândula se divide, ex. pâncreas).
  • Em relação à porção secretora -> ramificadas e não ramificadas
  • Em relação ao formato da porção secretora -> tubulosa, alveolar, acinosa e enovelada
Tipos de Glândulas Exócrinas
Na figura a cima temos: 1º a glândula é tubulosa simples porque a porção secretora tem formato de tubo e o ductor secretor não se divide. 2º é tubulosa simples enovelada porque a porção secretora tem formato de tubo e está em um formato de novelo e o ductor secretor não se divide. 3º A glândula é tubulosa simples ramificada, porque a porção secretora tem formato de tubo, o ducto secretor não se divide, mas a porção secretora é ramificada. 4º É acinosa simples ramificada, porque a porção secretora tem formato de acino, o ductor secretor não se divide, mas a porção secretora é ramificada. 5ª É túbulo acinosa composta, porque o ducto secretor tem formato de tubo e se divide, e a porção secretora tem formato de acino. 6ª e última glândula é acinosa composta porque o ducto secretor se ramifica e a porção secretora tem formato de acino.”
Glândulas Mistas
As glândulas mistas apresentam tanto parte secretora de muco (mucosa) e de conteúdo proteico (serosa). Ambas secreções são expelidas pelo mesmo ducto pelas duas partes secretoras.
Glândulas Endócrinas
A secreção das glândulas endócrinas é liberada diretamente na corrente sanguínea. Como já foi dito, elas podem ser cordonal (não armazena grande quantidade de substâncias no citoplasma) ou folicular (capaz de guardar grande quantidade de substâncias).