Etiologia das doenças periodontais
Etiologia(do grego causa): estudo ou ciência das causas. No corpo temos microrganismos nas interfaces, mas pela renovação constante por descamação impede o seu acúmulo. A infecção é a presença e a multiplicação de microrganismos nos tecidos.
Dentes tem superfícies duras, não descamativa sendo a principal causa das cáries e doença periodontal e perimplantares. Por não ser descamativo e não se renovar, os microrganismos podem se alojar.
Na década de 60 teve uma teoria chamada de Teoria da Placa Inespecífica, eles acreditavam que quanto maior o número de microrganismos presentes na placa maior seria a agressão da doença. Mas indivíduos que tinham a presença da gengivite, placa e cálculo não desenvolveram a doença periodontal destrutiva. Eles perceberam que não é o número de microrganismos, mas sim o microrganismo específico que causa as doenças. Iniciaram a pesquisa de patógenos específicos. Acontecia na ordem: Acúmulo de microrganismos na margem gengival-fatores irritantes(ácidos, endotoxinas e antígenos) –inflamação gengival- destruição do periodonto. O ponto positivo dessa pesquisa foi que depende do controle da quantidade da placa pra não ter a doença, e que a doença avançada é aquela que não tem higienização e baixa resistência. Não persistiu, mas o tratamento da periodontite continua em vigor, é a remoção da placa e seus produtos.
Na década de 80 surgiu a teoria da placa específica que diz: somente determinada placa é patogênica, e sua patogenicidade depende da presença e do aumento dos microrganismos específicos. Vê a qualidade e não a quantidade. Redução ou eliminação de bactérias patogênicas é a forma de tratamento.
Um estudo clássico de LOE, THEILADE E JENSEM EM 1965- Estudantes ficaram sem realizar higiene bucal por 15 a 21 dias, acumulou biofilme na superfície dental acontecendo gengivite, e depois voltaram aos hábitos de higiene que em 7 a 10 dias restabeleceu a gengiva. Observaram que na presença da gengivite as espécies de bactérias mudaram de cocos e bastonetes gram positivas aeróbias para espiroquetas gram negativas anaeróbias, por isso se diz que é a quantidade e qualidade pra causar uma doença periodontal.
Patogenicidade: habilidade de colonização subgengival, capacidade de invasão, liberação de proteases e toxinas, capacidade de modular respostas imunológicas destrutivas.
Saude periodontal: Predomínio de bactérias cocos, espécies gram positivas facultativas, membros do gênero Strepctococus e Actinomyces, poucos filamentosas e gram negativas.
Na placa bacteriana acontece reações inflamatórias e imunológicas pra proteger desses ataques, a reação inflamatória é visível clinicamente sendo a resposta do hospedeiro à microbiota da placa. A anatomia do periodonto favorece a entrada desses microrganismos, porque o epitélio juncional é permeável e com isso tem muito espaço intercelular que é o fluido. Na destruição do periodonto, acontece por enzimas virulentas das bactérias que induzem a inflamação, reação imunológica que libera produtos e lipopolissacarídeos presentes na membrana externa de gram negativos.
PLACA BACTERIANA OU PLACA DENTÁRIA OU BIOFILME DENTAL: O nome mudou para biofilme dental porque o biofilme na natureza é o acúmulo de bactérias num substrato rígido e viável, recobertas por meio aquoso, e elas estão organizadas e são dinâmicas. No caso do biofilme dental, o substrato é superfícies duras da cavidade bucal como o esmalte, e implantes, os microrganismos e o meio aquoso sendo a saliva mais exsudato do sulco gengival. Placa caracteriza por comunidade de microrganismos que não são organizados, e são estáticos dessa forma o correto é biofilme.
Definição: Comunidade microbiana organizada, não mineralizada composta por bactérias envolvidas por matriz extracelular de polímeros e de polissacarídeos extracelulares de origem bacteriana, exsudato do sulco gengival e saliva. LEMBRAR : ORGANIZADA, NÃO MINERALIZADA, CANAIS DE FLUIDO E MATRIZ EXTRA-CELULAR. OBS: Antes dela aderir na superfície, os microrganismos estão circulando, pessoas que tem problemas no coração, devem fazer sempre a profilaxia pois se o biofilme cair na corrente sanguínea e encontrar um substrato só é removido, com a retirada do substrato.
COMO QUE É A FORMAÇÃO:
É dividido em 4 fases:
Necessário ter substrato viável primeiro.
FASE 1: ADSORÇÃO MOLECULAR: FORMAÇÃO DA PELÍCULA ADQUIRIDA. Essa película adquirida são moléculas aderindo nos tecidos duros e locais para adesão das bactérias. São constituintes da saliva, sendo glicoproteínas e proteoglicanos, também apresenta anticorpos, e na parte sub gengival, pode apresentar componentes do fluido gengival.
FASE 2: FASE INICIAL DE COLONIZAÇÃO: Os microrganismos que tem capacidade de adesão por adesinas, vão aderir nessa película adquirida. Eles são gram positivos, aeróbios, os Streptococos e Actinomyces. Se alimentam de carboidratos sendo considerados sacarolíticos. Eles fazem fermentação e degradação do carboidrato- se transformando em Polissacarídeos Extra-celulares, esses polissacarídeos serão a matriz extra-celular do biofilme dental. Estágio reversível.
FASE 3: MULTIPLICAÇÃO: Os colonizadores iniciais multiplicam e se organizam para possibilitar a chegada de novas bactérias.
FASE 4: COLONIZAÇÃO SECUNDÁRIA: Os microrganismos sem capacidade de aderir na película adquirida, agora podem aderir nas bactérias pré-colonizadoras( co-agregação). Com a espessura dessas camadas de bactérias, a difusão começa a ser difícil. O ambiente passa a ter espaços anaeróbicos, e as bactérias de colonização secundária são principais anaeróbias. Aparecendo periodontopatógenos como gram negativas, as Porphyromonas gingivalis, Tannerella forsythia. Essas bactérias se alimentam de aminoácidos vindos do fluido sérico no início da inflamação gengival. Essa fase a placa se torna irreversível.
A placa pode ser Supra gengival e Sub Gengival. A supra gengival são fases de bactérias colonizadoras iniciais, aeróbias, se alimenta de carboidratos da dieta. Mas quando chega na fase de colonização secundária, a Placa é Sub gengival, ela não necessita mais da nossa alimentação pois as bactérias anaeróbias ou aeróbias facultativas se alimentam de nutrientes presentes no sangue, exsudato gengival, restos epiteliais. Dessa forma, na doença periodontal a dieta não é tão importante como na doença cárie.
Como se forma o biofilme subgengival :Precisa da formação inicial da Supra gengival, mas depois organizado não necessita mais porque se torna auto-sustentável pelo sangue, esxudato gengival da inflamação, restos epiteliais, tem maior espessura, tem a presença do fluido gengival.
Mecanismos da Ação da Bactérias:
Elas atuam destruindo as células por enzimas histolíticas, tem agentes citotóxicos, invade tecido e célula.
Obs: O sistema imunológico tem que estar bem junto com uma boa higiene bucal. Porque a resistência do hospedeiro deve estar em equilíbrio com a virulência bacteriana.
Essas bactérias atuam diretamente liberando subprodutos nas células destruindo elas, ou indiretamente fazendo uma reação imunológica que vai aumentar a inflamação. Isso acontece porque as células de defesa fagocitam as bactérias, e morrem liberando todo o produtos delas mais os restos de suas células ocasionando um aumento na inflamação. Por isso se diz, que a doença periodontal depende da resposta do sistema imunológico, e da higiene bucal.
Patógenos Periodontais
Gengivite: Tem proporção semelhante das gram positivas e gram negativas. Gram positivas: S. sanguis, S.mitis, S. intermedius, S. oralis. Gram negativas: F. nucleatus, P. intermedia. Tem mais facultativas do que anaeróbias. Presença de formas de cocos e filamentosas, e as espiroquetas mais no ápice.
Periodontite: Formas filamentosas e espiroquetas, gram negativas e anaeróbias. Crônica: Porphyromonas gingivalis, P. intermedia, Actinobacillus actinomycetemcomintans, Tannerella forsythia, Treponema denticola, Eikenella corrodens.
Agressiva: Agregatibater, Porphyromonas gingivalis
MATÉRIA ALBA (Não confundir com o Biofilme Bacteriano): São bactérias mortas ou isoladas, não organizadas, não aderidas sendo retiradas com jatos de água ou ar, são restos alimentares, restos epiteliais, restos de células polimorfonucleares, células descamadas.
CÁLCULO DENTAL OU TÁRTARO:
Conceito: Depósito duro, formado pela mineralização da placa dentária e geralmente coberto por uma camada de placa não mineralizada. O mecanismo de formação dele é a mineralização do Biofilme Dental, um aumento de ph local permite que a anidrase carbônica e fosfatase alcalina precipitem carbonato, fosfato de cálcio e magnésio por causa de glândulas parótidas e submandibulares, por isso que seu grau de formação depende da quantidade da placa e secreção salivar, localizado mais em lingual de incisivos inferiores e vestibular de molares superiores (locais de glândulas). Cerca de 2 semanas pra aparecer. Composição do tártaro ou cálculo: 70 a 80% porção inorgânica de cálcio 40%, fósforo(20%), magnésio, sódio, carbonato e fluoreto. E 20 a 30% da porção orgânica sendo proteínas, carboidratos e lipídeos.
Classificado em:
Supra gengival: Mineralização a partir dos componentes da saliva, está coronário à margem gengival, aderido à superfície do dente, massa branca-amarelada/amarelo-acastanhada (coloração depende de hábitos alimentares e fumo), locais das glândulas que é lingual de incisivos inf. e vestibular de molares superiores. O diagnóstico é visual, sonda e raspagem. Menos aderido e mais fácil de remoção
Subgengival: Mineralização por componentes do exsudato inflamatório da bolsa periodontal, é apical à margem gengival, aderido à superfície da raiz radicular, coloração marrom escuro/preto-esverdeado, mais duro e aderido, difícil remoção. Diagnóstico é sondagem, radiografias, jato de ar.
Implicações clínicas: Difícil acesso para higiene e também tratamento, bactérias perto de tecidos, local de aderência para o biofilme por ser poroso. Não é a etiologia primária da doença periodontal mas pode ser local de retenção para biofilme.
DOENÇAS PERIODONTAIS SÃO INFECCIOSAS, CÁRATER PROGRESSIVO, DESTRUTIVAS E MULTIFATORIAIS!
Histologicamente tem características específicas:
RESPOSTA INATA DO TECIDO GENGIVAL PODE SER DIVIDIDO EM 4 FASES:
INICIAL, PRECOCE, ESTABELECIDA(correspondem às fases da gengivite) E AVANÇADA(corresponde à periodontite)
INICIAL: Em dois dias de acúmulo do biofilme, começa a ter vasculite (que é inflamação dos vasos) subjacentes ao epitélio juncional, proteínas vão pro meio extra celular, começa a ter exsudato do fluido no sulco gengival, aumenta migração de células para o sulco. CLINICAMENTE: Saude periodontal, é uma gengivite sub-clínica
PRECOCE: Acentua as características da lesão inicial, e clinicamente é gengivite detectável (edema, vermelhidão, aumento de fluídos)
ESTABELECIDA: Piora as fases anteriores. Clinicamente além de edema, vermelhidão, aumento de fluído causa uma hiperplasia que é pseudobolsa ou bolsa gengival, é aquela que aumenta a gengiva mais não ocorre perda de inserção, e aumento do sulco gengival para abaixo do epitélio juncional);
AVANÇADA: Continuação da lesão estabelecida, causa bolsa periodontal (aumento do sulco gengival até que o epitélio juncional vá para apical), retração gengival, vermelhidão, edema, perda de inserção, perda óssea e perda de lig periodontal. Clinicamente é a Periodontite.
DIAGNÓSTICO DAS DOENÇAS
Sangramento(indica a inflamação).
Temos a Bolsa periodontal indicando que houve migração do epitélio juncional para o apical, perda de inserção. Não aparece retração da gengiva porque acontece características para ela não acompanhar o epitélio juncional.
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Temos a Retração gengival, quando a gengiva acompanha o epitélio juncional para o ápice, isso é a distância da junção cemento-esmalte até a margem gengival, também tem perda de inserção.
Perda de inserção: é a soma da bolsa periodontal (vai até onde a sonda chega, ou seja até a crista óssea) + a medida da retração (que é da jce até a margem gengival).
GENGIVITE
A gengivite corresponde à bolsa gengival ou falsa bolsa, não há migração do epitélio juncional para o ápice, nem perda de inserção, nem perda óssea. Ocorre sangramento à sondagem.
Todas às gengivites mostram sinais : Sinais e sintomas confinados somente na gengiva, o biofilme aumenta ou inicia a severidade da lesão, os sinais que vemos durante a inflamação é o aumento do contorno da gengiva por causa de edema ou fibrose, muda a cor fica um vermelho, eleva a temperatura do sulco, sangramento é espontâneo ou estimulado, aumenta o fluido da gengiva, é reversível quando destrói o fator etiológico, não tem perda de inserção. Gengivite induzida por placa, é quando precisa de fatores locais para se instalar no biofilme e quando não precisa de fatores locais para se instalar no biofilme.
Nos fatores sistêmicos temos:
Sistema endócrino:
Associada à puberdade(reversível após puberdade), associada a menstruação(nos períodos de ovulação) é reversível também, tem mulher que apresenta durante o ciclo todo. Na gravidez mais no 2 e 3 trimestres, depois do parto é reversível. Diabetes melittus tipo I está mais associada, quanto mais glicose no sangue mais tem severidade da doença, então se controla o nível de glicose do sangue controla a severidade da doença e vice-versa. Leucemias. Pode se dar por medicamentos que induzem o aumento gengival na presença da placa ( anticonvulsivantes- fenitoína, imunossupressor – ciclosporina, anti-hipertensivo porque bloqueia canal de cálcio – nefidipina) acontece primeiro em papilas, aumenta o sangramento. Aumento de gengiva é por causa de fatores INFLAMATÓRIOS(edema e fibrose) mas também pode ser por fatores GENÉTICOS. Tem contracepctivos orais que também aumentam a inflamação. No que diz respeito à nutrição, o ácido ascórbico é essencial porque auxilia na formação do colágeno aumentando a inflamação independente do nível de placa.
PERIODONTITE CRÔNICA:
Semelha à gengivite, mas com diferenças:
Acontece em maior prevalência nos adultos, mas também acontece em adolescentes, sangramento à sondagem, perda de inserção, reabsorção óssea, mobilidade e migração dentária, perde resistência aos tecidos, tem perda óssea, BOLSA periodontal, retração gengival, a quantidade de destruição é relacionada aos fatores locais(anatomia do dente, iatrogenias), vai ter a presença de cálculos supra e sub gengivais, influenciada por fumo e stress, fator sistêmico de HIV, diabetes melitus.
SEVERIDADE:
leve: perda de 3 mm
moderada: até 5 mm
severa: maior ou igual a 7mm
complicada: reabsorção óssea, lesões de furcas, defeitos infra-ósseos
PERIODONTITE AGRESSIVA: Predileção por jovens e rápida progressão da doença, rápida perda de inserção e óssea, hereditária, proporção elevada de Porphyromonas gengivalis, presença da placa sub gengival. Não apresenta o cálculo e nem placa supra gengival. Pacientes jovens até 40 anos, vai apresentar perda de inserção.
ETIOLOGIA MULTIFATORIAL
FATOR MICROBIOLÓGICO: Placa Dentária (biofilme)
FATORES LOCAIS: Cálculo ou tártato, trauma de oclusão, anatomia dentária, fatores iatrogênicos, ortodontia
FATORES COMPORTAMENTAIS: Tabagismo, estresse
FATORES SISTÊMICOS: Desequilíbrios endócrinos, distúrbios hematológicos, medicamentos, alterações hormonais
obs:
Trauma de oclusão: Forças de oclusão que causam injúrias no aparato de inserção; PRIMÁRIA( Força excessiva aplicada em dentes com aparato de inserção normais) SECUNDÁRIA (Força normal ou excessiva em dentes com aparatos periodontais reduzidos). Nas manifestações clínicas ocorre a presença de mobilidade dentária, migração do dente, desconforto, dor na oclusão, retração gengival. Na radiografia se vê lâmina dura descontínua, espaço maior no lig periodontal, reabsorção radicular ou óssea. O trauma da oclusão não causa doença periodontal porque acontece uma adaptação à esse trauma, mas quando tem a inflamação esse trauma vai acelerar o processo da doença, causando perda óssea.
Anatomia dentária: Se vê nos locais de furcas, sulcos, concavidades, fissuras, pérolas de esmalte e projeções de esmalte.
Iatrogenia: Pode ser por causa de restaurações defeituosas que deixem superfícies ásperas e margens salientes. Próteses mal adaptadas causando compressão em tecidos moles e torção sobre os dentes.
Ortodonia: Porque é difícil a higienização, modifica o ecossistema da gengiva, favorece retenção de placa.
FATORES SISTÊMICOS
DIABETES MELITUSX DOENÇA PERIODONTAL: Porque tem o descontrole glicêmico, se melhora isso, melhora a doença e vice-versa.
AVC X DOENÇA PERIODONTAL: Quem tem doença periodontal, tem 4,5 vezes de chance pra ter avc.
MEDICAMENTOS: Em resposta à placa induzem aumento da genviva. FENITOÍNA(anticonvulsivante), nefidipina(anti-hipertensivo, bloqueia canal de cálcio), ciclosporina (imunossupressor).
ALTERAÇOES HORMONAIS-
PUBERDADE- CICLO MENSTRUAL(OVULAÇÃO NA MAIORIA)- GRAVIDEZ (2 AO 8 MÊS) –ANTICONCEPCIONAIS
SUSCEPTIBILIDADE GENÉTICA-FATOR GENÉTICO, PORQUE TEM FAMÍLIA COM OCORRÊNCIA DE CASO MAIS COMUM,
FATORES COMPORTAMENTAIS
FUMO: É comprovado que a pessoa que fuma tem o sistema imunológico dominuído, e responde menos ao tratamento da doença periodontal. Diminui quantidade O2 na região da boca por causa da vasoconstrição dos vasos, e as bactérias são mais patogênicas.
ESTRESSE: É relacionado ao comportamento, porque a pessoa estressa não preocupa com a higiene bucal. E também diminui sistema imunológico.
MULHERES TEM MENOS REABSORÇÃO ÓSSEA QUE O HOMEM (por causa do estrógeno)
Pessoas mais idosas e jovens, tem mais chance de ter a doença.
Fator sócio-econômico também conta por causa da higiene.