Cárie
É uma doença infecciosa, oportunista, de caráter multifatorial, fortemente influenciada pelos carboidratos da dieta e da ação dos componentes salivares. Sendo comportamental os fatores modificadores são características das diferentes culturas, os determinantes são os mesmos para diferentes populações.
Um diagnóstico é a capacidade do clínico de detectar a lesão e avaliar sua severidade e atividade, desse modo, o tratamento é diagnosticar e intervir sobre fatores etiológicos, determinantes e modificadores da doença, não apenas tratar a sequela.
Transmissibilidade de microrganismos cariogênicos: Bactéricas responsáveis por iniciar a cárie dental são transmitidas por gerações e indivíduos. Streptococos do grupo mutans são transmitidos verticalmente durante um período discreto. Mães com alta atividade de cárie tendem a ter filhos com alta atividade de cárie, herança genética da crianã tem influência na susceptibilidade à cárie.
Janela de infectividade: Quando nascem os primeiros e segundos molares decíduos já possuem aquisição inicial dos streptococos do grupo mutans (aos 26 meses).
Segunda janela de infectividade: por volta dos seis anos de vida quando têm a irrupção dos primeiros molares permanentes.
A transmissão indireta se dá por meio de copo e colher, mas o microrganismo é viável por 7 horas.
Etapas do desenvolvimento da cárie
Biofilme- depois da ingestão dos alimentos ricos em açúcar, é retirado com escova e fio dental.
Cárie incipiente- mancha branca que aparece no estágio inicial da cárie antes que se forme uma cavidade propriamente dita. Este estágio é reversível, a lesão pode ser remineralizada sem restauração.
Cárie de esmalte- o ácido que é produzido pelas bactérias forma uma pequena cavidade no esmalte.
Cárie de dentina- atravessa o esmalte, penetra a dentina e sensação de dor pois a dentina apresenta terminações nervosas.
Infecção pulpar- alcança a polpa, dor aguda ou comprometimento crônico perirradiculares.
Lesão de mancha branca ativa: Opaca, rugosa e localizada nas regiões de acúmulo do biofilme.
Lesão de mancha branca inativa:lisa e brillhante
Cavidades de cárie ativa: tecido amolecido, cor amarelado circundado por lesão de mancha branca ativa.
Cavidades de cárie inativa: tecido endurecido, cor marrom escura ou preta, liso e às vezes brilha.
Dentinda infectada (não é remineralizada) : desorganizada, amolecida, sem preservação estrutural. Canalículos dilatados preenchidos por bactérias, consistência mole e úmida, cor amarelada.
Dentina afetada (é remineralizada): matriz canalicular preservada, bactérias pouco frequentes, seca, consistência não amolecida, tecido saindo em lascas, amarelo-castanho escuro.
Primeiro se faz uma inspeção visual que avalia alterações de cor e anatomia, superfície dentária limpa e seca, ótima iluminação, isolamento relativo, escova de robson. Depois um exame radiográfico pra ver a perda mineral se tem alguma alteração na densidade e espessura, se vê faces proximais, cáries extensas, a técnica é a interproximal. E então se realiza um diagnóstico com anamnese, hábitos de higiene, hábitos dietéticos, exame clínico e radiográfico, exames complementares.
Tem alguns diagnósticos diferenciais da lesão de cárie
Fluorose: é um distúrbio de desenvolvimento onde observa-se hipomineralização com a presença de poros na subsuperfície, estando a superfície externa do esmalte mineralizada, sempre grupo de dentes iguais, não tem tratamento, ocorre por volta dos 20 aos 36 meses de idade. Período de desenvolvimento dos permanentes.
Hipoplasia de esmalte: ocorre em sulcos, fissuras ou depressões. Branco-amarelado ao castanho escuro. Ocorre quando a matriz orgânica que forma esmalte e dentina sofre agressões. Tem tratamento.